A água deve ser considerada um bem público indispensável à vida, de interesse e direito de todos, ou um produto de exploração comercial como qualquer outro, um negócio lucrativo para as grandes empresas e instituições financeiras transnacionais? Qual é a saída para melhorar a gestão e ampliar a oferta de serviços básicos de abastecimento de água e saneamento às populações dos países do Cone Sul: privatizar ou manter sob domínio público-estatal?

Estas e outras questões estarão em discussão no Fórum Internacional Diálogos da Bacia do Prata, que acontecerá a partir desta quarta-feira (23) durante três dias em Foz do Iguaçu. No evento, os quatro países do Cone Sul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) que exploram os recursos hídricos da Bacia do Prata (incluindo a Bolívia) vão tirar uma posição comum para levar ao IV Fórum Mundial da Água, que se realizará na Cidade do México, em março de 2006. Além disso, vão definir uma estratégia de planejamento conjunto sobre o uso da água.

O encontro será aberto às 8h30 com a participação dos governadores Roberto Requião (PR), Zeca do PT (MS), da ministra de Meio Ambiente, Marina Silva; do ministro de Meio Ambiente do Paraguai, Alfredo Molinas; do prefeito Paulo Mac Donald Ghisi, dos diretores-gerais da Itaipu Binacional, Jorge Miguel Samek e Víctor Bernal Garay, do presidente da Green Cross Brasil, Celso Claro, que fará a apresentação de uma mensagem virtual do prêmio Nobel da Paz, Mikhail Gorbachev , e do presidente Pró Tempore do CIC, embaixador Arturo Liebers Baldivieso.

A estratégia comum para a região, que pode evitar conflitos futuros, começou de fato a ser desenhada no ano passado, quando o Comitê Intergovernamental Coordenador dos Países da Bacia do Prata (CIC) promoveu outro seminário em Foz do Iguaçu, para discutir uma política de desenvolvimento sustentável para os países beneficiados pela bacia, em busca de um consenso geopolítico sobre o aproveitamento da água.

A região da tríplice fronteira, onde ocorre o evento da próxima semana, é considerada estratégica, pois, além de abrigar as majestosas Cataratas do Iguaçu e o Reservatório da Itaipu Binacional (a maior hidrelétrica do mundo em produção de energia, superando Três Gargantas, na China), assenta-se sobre o Aqüífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água subterrânea do planeta. O Aqüífero Guarani é alvo de cobiça de grandes grupos econômicos.