A operação de blindagem do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, montada pelo Palácio do Planalto, prosseguiu hoje e vai continuar enquanto for necessário. Além do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, já na primeira cerimônia que participou, pela manhã, em Santa Catarina, elogiou Palocci e disse que deve muito a ele, diversos ministros repetiram o gesto pelo país a fora. Lula também repetiu o gesto em mais três oportunidades, além de ter dado entrevista dizendo que Palocci não pediu demissão e nem o presidente aceitaria se ele pedisse. A operação segura-Palocci foi desencadeada pelo presidente Lula, que promoveu reuniões no Planalto e telefonou para vários ministros a fim de que dessem declarações em favor do ministro.

Mas a blindagem de Palocci tem um limite: até aparecer alguma prova contundente dele cometendo algum ato ilícito. Auxiliares do presidente salientam, no entanto, que não se trata de problemas envolvendo a vida pessoal do ministro Palocci, porque este assunto, salientam, não é da alçada do governo, embora o presidente Lula esteja muito preocupado com a vida familiar do seu ministro da Fazenda. O presidente Lula tem preocupações também com o futuro do seu ministro, caso ele tenha de sair do governo por algum motivo.

O ministro Palocci, no entanto, se recolheu, e desapareceu do circuito da imprensa, para evitar ter de dar novas explicações. Ele tem passado os dias despachando em seu gabinete montado no terceiro andar no Planalto, bem próximo ao gabinete do presidente Lula. No Planalto, Palocci fica mais protegido porque pode usar entradas e elevadores privativos, onde ninguém da imprensa tem acesso, ao contrário do que acontece no Ministério da Fazenda.

Mas há uma preocupação grande com o fato de a credibilidade do ministro ter sido afetada e o que isso pode trazer de reflexo para a economia. O governo vem comemorando o fato de o mercado não ter se mexido com as denúncias, mas temem que, se o tiroteio contra o ministro persistir, ele possa dar sinais de inquietação.

Além das declarações de apoio a Palocci, o governo tentará o que for possível, para adiar, ao máximo, a ida do ministro ao Congresso, para dar tempo para que ele tenha tempo de reagir, para que as denúncias sejam checadas e Palocci voltar a se fortalecer.