Brasília – O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, afirmou hoje (23) que o governo vai dar o "melhor aumento possível" para o salário mínimo no próximo ano. Ele não entrou em detalhes sobre o valor a que a equipe econômica está chegando, mas admitiu que há preocupação, "inclusive por parte das centrais sindicais", com os efeitos do aumento, especialmente nas contas das prefeituras e da Previdência Social.

Segundo Palocci, os efeitos sobre as contas da Previdência devem ser olhados, para não deteriorar as contas. "E devem ser olhados também os efeitos sobre os governos e as prefeituras", disse ele, ao informar que cerca de mil prefeituras têm indicado que teriam dificuldade para pagar um aumento de salário mínimo com efeitos reais muito elevados. "Temos que olhar esse equilíbrio buscando, também atender as necessidades do trabalhador", afirmou.

De acordo com o ministro, a combinação do aumento do mínimo nos últimos anos e a política de controle de inflação está refletindo positivamente no bolso do trabalhador, que vê aumentado seu poder de compra. O ministro exemplificou com dados de uma pesquisa feita na cidade de São Paulo, segundo a qual, em 2002, um salário mínimo podia comprar 1,2 cesta básica. Atualmente, segundo a pesquisa, o mínimo compra 1,7 cesta básica.

"Se conseguirmos garantir, com um forte controle inflacionário, a continuidade de ganho real do salário mínimo e com um aumento melhor possível, tenho vamos terminar esse período de governo com uma melhora muito grande no salário mínimo", disse Palocci.

O projeto de lei orçamentária estabelece a ampliação do salário mínimo dos atuais R$ 300 para 321, mas o governo, Congresso e sindicatos discutem uma elevação maior. Os sindicalistas pedem R$ 400 e o governo, segundo as estimativas do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, propõe R$ 340.

Palocci informou que a equipe econômica está levantando os dados relativos ao equilíbrio das contas para repassar para o presidente Lula, que decidirá sobre o novo valor do salário mínimo em janeiro.