Washington (AE) – O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse hoje (26), durante almoço de encerramento da conferência anual da Câmara de Comércio Brasileira-Americana, que em 2006, "pela primeira vez em anos recentes, o Brasil reduzirá sua dívida pública durante um ano eleitoral". A afirmação foi usada pelo chefe da equipe econômica para ilustrar o que ele descreveu como o ingresso num período de "maturidade econômica" "e crescimento de longo prazo", alcançado graças à "consolidação do controle da inflação e da responsabilidade fiscal, que felizmente deixou de ser uma preocupação do governo e é hoje uma preocupação permanente da sociedade brasileira".

Falando a uma platéia de executivos que vêem nele uma âncora de estabilidade num governo ameaçado por um escândalo de corrupção, Palocci mencionou apenas uma vez o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua fala de mais de 20 minutos. Elogiado pelo secretário do Tesouro, John Snow, que falou a seguir, o ministro evitou reivindicar o crédito pelas boas notícias econômicas que o Brasil vem apresentando exclusivamente à administração petista. Em vez disso, compartilhou-a com a administração anterior, dizendo que os bons resultados de hoje devem-se não apenas às política do governo Lula, mas também às reformas iniciadas "nos últimos anos".

Palocci valorizou o papel da imprensa na opção da sociedade pela estabilidade. "A imprensa brasileira, as lideranças do País e os agentes econômicos passaram a ser extremamente vigilantes no que diz respeito ao controle da inflação e à responsabilidade fiscal, corrigindo uma longa história de equívocos que o Brasil fez no passado", disse. O ministro disse ainda que assim, como as dificuldades políticas do momento não alteraram o curso da economia, ele não teme uma mudança de curso da política econômica durante a campanha eleitoral e depois da disputa presidencial de outubro do ano que vem. "A sociedade brasileira não aceita mais comportamento leniente em relação à inflação ou no plano fiscal. A sociedade brasileira verificou que o controle da inflação vai diretamente em benefício do bolso do trabalhador."

O ministro afirmou que a economia está hoje "muito mais musculosa e preparada para passar por períodos onde dificuldades em outras áreas possam ocorrer". Indagado se para conseguir a redução da dívida pública no ano que vem o governo irá elevar a meta de superávit primário, Palocci respondeu que não, explicando que o governo continua trabalhando com a meta de 4 25% do PIB de superávit para 2006. "Acho que o mix de políticas que estão colocadas está mostrando que nesta combinação que existe hoje, nos planos fiscal e monetário, é possível suprir esse objetivo com uma meta de superávit que temos hoje", afirmou. Segundo Palocci, no ano como um todo, apesar de a meta continuar em 4,25% do PIB, o superávit primário final poderá ser um pouco maior.