O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, defendeu hoje, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), a manutenção de taxas razoáveis no superávit primário. Segundo ele, os países que deixaram de honrar suas dívidas externas tiveram resultados danosos nos índices de crescimento, agravando em até 500%, o caso de muitos, o empobrecimento da população. As afirmações foram feitas em resposta aos questionamentos do conselheiro Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

Para o ministro, seria muito bom para o Brasil, como sugeriu Skaf, poder usar o dinheiro do superávit primário (reserva que o país mantém como garantia para pagamento de suas dívidas) na área social, mas lembrou que o equilíbrio das contas permite um equilíbrio social. “Os dados revelados pela CNI mostram que estamos no caminho certo, pois levamos em conta que o processo econômico deve significar resultados práticos em favor do povo. Se não houver retorno para o povo, o processo não está certo”, disse.

O ministro afirmou que no próximo ano o país talvez não precise tomar recursos ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Para ele, as ações da economia estão respondendo aos desafios que se apresentam. Palocci também previu que a carga tributária no próximo ano deve ser menor, mas disse que ainda é cedo para fazer estimativas, sob risco de cometer erros. Ele lembrou que, no ano passado, institutos de pesquisa previam carga acima de 40% e, no entanto, ficou na faixa dos 35%.

Palocci lembrou que o governo já adotou 21 medidas de desoneração e deve continuar fazendo “correções de curso” para equilibrar a carga tributária. Segundo ele, muitas pessoas cobram mais ousadia da equipe econômica, mas o excesso de coragem “mostrou resultados perversos no passado”. Ele acredita que o melhor é seguir uma política de persistência ante a crise de décadas, que mantém efeitos sobre a atualidade.