O papa Bento XVI comparou nesta quinta-feira (31) a crise da fé do sacerdócio com os desacordos matrimoniais ao ressaltar a necessidade de "aceitar e reconhecer a entidade do outro quando parece que não se pode mais ficar junto". O papa fez tais afirmações durante um encontro com sacerdotes na residência de verão de Castelgandolfo. "É necessário aprender a conhecer-se de novo, aprender a amar-se com um amor mais verdadeiro", manifestou aos religiosos durante um longo diálogo, no qual respondeu a questões sobre a importância da liturgia e dos sacramentos.

O sumo pontífice pediu aos sacerdotes com dúvidas vocacionais que não percam de vista os sacrifícios cotidianos de tantos maridos com relação a seus filhos, nas noites de insônia dedicadas a seu filho e nos problemas ligados à convivência. Tantos casamentos, mesmo depois de muitos anos, acabam pela "diferença de temperamentos", mas é justamente nas dificuldades que se deve voltar a encontrar "a beleza do amor", afirmou Bento XVI.

"Uma beleza feita apenas de harmonia é deficiente. A verdadeira beleza necessita do contraste. A obscuridade e a luz se complementam. A uva, para amadurecer, precisa também da chuva e do vento", afirmou. É preciso aprender "a necessidade do sofrimento da crise", concluiu. Por último, o papa fez menção "ao valor simbólico dos estigmas, selos da vitória de Cristo, de toda a vitória de seu amor por nós".