Em sua primeira aparição pública desde o desencadeamento da atual crise com a comunidade muçulmana, o papa Bento XVI se desculpou neste domingo (17) pela fúria gerada por seu discurso de terça-feira sobre a Jihad (guerra santa). O pontífice disse estar "profundamente desgostoso" pelos acontecimentos e afirmou que as críticas feitas ao Profeta Maomé por um imperador bizantino do século 14 – citadas por ele na universidade alemã de Regensburg – não refletem sua opinião pessoal sobre o assunto.

"Estas palavras eram na verdade uma citação de um texto medieval e de maneira alguma expressam minhas visões pessoais", disse o papa a fiéis em sua residência de verão. Bento XVI destacou também que o Secretaria de Estado do Vaticano já havia divulgado um pronunciamento tentando explicar seu discurso.

"Eu espero que isso sirva para apaziguar os corações e clarear o verdadeiro significado do meu pronunciamento, que em sua totalidade era e é um convite para um diálogo franco e sincero, com grande respeito mútuo.

Discursando sobre sua peregrinação à Alemanha na semana passada, Bento XVI disse: "Neste momento, eu gostaria de acrescentar também que estou profundamente desgostoso pelas reações em alguns países à pequenas passagens do meu pronunciamento, que foi considerado ofensivo à sensibilidade dos muçulmanos.

O para parecia tranqüilo quando cumprimentou os peregrinos que esperavam por seu discurso sob a chuva fina diante do jardim de sua residência de verão em Castelgandolfo. Ele sorriu e disse esperar que o tempo melhore para a sua audiência geral, na quarta-feira.

Policiais confiscaram guarda-chuvas de metal de alguns dos peregrinos como parte de um reforçado esquema de segurança montado para o pronunciamento do pontífice. Ontem, o grupo radical islâmico iraquiano Khaiech al-Mujahedin prometeu lançar ataques contra Roma e o Vaticano em resposta às palavras de Bento XVI.