O papa Bento XVI, numa emocionada mensagem de ano-novo, pediu nesta segunda-feira (1.º) aos governos do mundo que trabalhem pela paz e pelos direitos humanos e repudiem a guerra e a violência. Desejou "paz e bem-estar" a dezenas de milhares de fiéis que se concentravam na Praça de São Pedro e àqueles que o escutavam pelo rádio ou o viam pela tevê.

O pontífice disse então que estava fazendo um apelo aos líderes mundiais, ao chefes das organizações internacionais e a todos os homens e mulheres de boa vontade. "Atualmente se fala muito em direitos humanos, mas muitas vezes se esquecem que eles necessitam de uma fundação estável, não uma movediça, não uma que esteja sujeita a opiniões", afirmou o papa em sua bênção de meio-dia aos fiéis. "E isso não pode ser nada mais do que a dignidade da pessoa."

"O respeito por essa dignidade começa com o reconhecimento e a proteção do direito à vida e a professar livremente a religião da pessoa", acrescentou.

O papa orou para que os povos desenvolvam um "respeito sagrado por cada pessoa e um firme repúdio à guerra e à violência"; e instou a todos a serem "construtores sinceros e corajosos da paz".

Mais cedo, em sua homilia na Basílica de São Pedro durante a missa de Ano-Novo, o pontífice disse que a paz era "um presente a ser invocado com orações, uma tarefa para ser realizada com coragem, sem cansar-se nunca".

O Vaticano celebra em 1º de janeiro o Dia Mundial da Paz. Milhares de pessoas participaram de uma passeata que terminou na Santa Sé.

Referindo-se à Terra Santa, onde nasceu Jesus, Bento XVI questionou: "Como não podemos implorar com reiteradas orações que (…) o dia da paz chegue o mais cedo possível, o dia em que o conflito que tem se estendido por tanto tempo se resolva de forma definitiva?"

"Um acordo de paz, para que seja duradouro, deve ser baseado no respeito pela dignidade e pelos direitos das pessoas", ensinou.

Diante de numerosos embaixadores acreditados na Santa Sé que participavam da missa, Bento afirmou: "Meu desejo é que (…) a comunidade internacional una esforços para que, em nome de Deus, se possa forjar um mundo em que todos respeitem os direitos fundamentais de todos os homens".

O papa disse que a injustiça e a violência ameaçam a paz, e que ainda está presente a ameaça terrorista.

Vestido de branco, Bento XVI, de 79 anos, pareceu cansado em alguns momentos da cerimônia de 90 minutos.