O presidente em exercício, José Alencar, disse que a verticalização das coligações partidárias é uma utopia no atual quadro político brasileiro. "Precisamos da não verticalização até que se faça uma reforma capaz de reduzir o número de partidos para um número capaz de acolher com segurança os que trabalham na política com seriedade", afirmou, em entrevista informal, concedida ontem quando saia da abertura da 2ª Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural, em Porto Alegre.

Para Alencar, a emenda que suspende a verticalização, votada no Congresso, acabará promulgada com uma consulta ao Supremo Tribunal Federal. "Gostaríamos que os candidatos e eleitores estivessem coerentes", admitiu Alencar, numa referência a uma situação ideal, com verticalização. "Mas temos 29 partidos. Eles também são federações. E em cada Estado têm uma conduta diferente", comentou, justificando a preferência atual.

Ao falar de suas perspectivas pessoais, Alencar ressaltou que não é candidato a nada. Mas confirmou que está de saída do Ministério da Defesa por que não quer entrar na situação de não poder vir assumir alguma candidatura.

Economia

Provocado pelos repórteres, o presidente em exercício voltou a falar sobre a política econômica e disse que a taxa de juros alta é inócua para alguns de seus propósitos. "Não adianta taxa de juros alta para combater consumo de quem não consome", destacou, lembrando que dois terços da população consomem só o essencial. Para Alencar, a taxa alta também não combate preços cartelizados, como os do petróleo. "Ela (a taxa) inibe o crescimento e deve cair o mais urgente possível", reiterou. "O Brasil está sedento para alcançar o lugar que lhe cabe", afirmou, lembrando que o País vem caindo no ranking das maiores economias mundiais e quer recuperar terreno.