Rio – A economia brasileira deve cresce 3,5% em 2006, favorecida pelo cenário internacional, acredita o diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carlos Langoni. Segundo ele, "é muito difícil saber quanto o Brasil vai crescer em 2006, mas pelo menos 3,5% é um cenário razoável dadas as condições internacionais", disse.

Langoni explicou que os fatores externos "vão mais do que compensar" os efeitos negativos da valorização cambial e as exportações devem crescer entre 8% e 10% assegurando um superávit comercial de pelo menos US$ 38 bilhões. Langoni disse que a preocupação em relação ao desempenho econômico do Brasil esse ano está nas eleições. Para ele, "no Brasil a minha preocupação é que o debate eleitoral ainda vai ser um plebiscito sobre política econômica" disse, acrescentando que, por isso, "há um risco efetivo de mesmo sem mudanças radicais haja alguma incerteza no segundo semestre".

Em termos estruturais, Langoni avalia que o maior obstáculo para o crescimento da economia brasileira é a carga tributária elevada, e é necessário um ajuste fiscal que abra espaço para a redução gradual e sistemática dos impostos. Para ele, a abertura da economia também é fundamental para que o País possa crescer com mais vigor.

"O Brasil ainda é uma economia excessivamente fechada", disse Langoni em palestra há pouco, em seminário na Câmara de Comércio Americana sobre as perspectivas socioeconômicas para o Brasil, que será encerrado às 12h30 pelo presidente do Banco Central Henrique Meirelles.