Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) iniciou hoje uma série de reuniões entre a diretoria do banco e economistas na busca de sugestões que, segundo o presidente da instituição, Guido Mantega, poderão "aperfeiçoar" a política econômica.

Após almoço com o deputado Delfim Neto (PP-SP), ele defendeu melhor qualidade do ajuste fiscal, mudança do perfil da dívida pública e política monetária "mais adequada". Mantega disse que a reunião com Delfim, autor da proposta de déficit nominal zero, levou à conclusão de que o Brasil está em momento muito propício para acelerar o crescimento.

Indagado se há algum "conflito ideológico" com a equipe econômica, Mantega respondeu com elogios ao desempenho dos colegas de governo. Para ele, o Brasil vive "condições inéditas para um crescimento vigoroso", mas os juros precisam cair mais rapidamente para acelerar a expansão da economia.

Para permitir a queda, segundo ele, é preciso melhorar a eficiência das despesas de custeio do governo, o que resulta em maior qualidade para o ajuste fiscal, sem elevação do superávit primário. Além disso, Mantega sugere o alongamento da dívida pública e mais investimentos. Ele avalia também que é preciso encontrar um caminho de controle da inflação sem juros "tão elevados", o que, segundo ele, será possível com as iniciativas sugeridas.

O presidente do BNDES avalia que o ajuste fiscal em curso "é consistente, mas pode ser melhorado". Para ele, essa melhoria não inclui o aumento do superávit primário, mas a redução de despesas de custeio, como compras governamentais e da Previdência. "O governo tem de fazer ajuste, por exemplo, na Previdência – com o tal choque de gestão, que, aliás, já está sendo feito -, e ampliar a eficiência das compras governamentais e contratação de serviços, preservando os gastos sociais", disse.

Mantega afirmou que não é o caso de "mudar a política (econômica) em vigor, mas aperfeiçoar essa política, crescer 5% em vez de 3,5%". Como exemplo das boas condições que permitem acelerar o crescimento sustentado da economia do País ele citou a "modernidade da estrutura produtiva brasileira, pronta para responder aos desafios da competição mundial". Para ele, "a prova disso é o bom desempenho, apesar do limite do câmbio e da taxa de juros desfavorável".

Mantega citou também as condições internacionais benéficas para o crescimento brasileiro e a estabilidade institucional e fiscal.

"Com esse quadro o País está pronto para crescer, mas hoje esbarra em taxas de juros muito elevadas, que permitem um crescimento de 3%, 3,5% e não mais que isso, além do câmbio, que impede um salto maior da exportação".

Para o presidente do BNDES, o juro real (taxa Selic menos inflação em 12 meses) ideal para o Brasil hoje seria de 3% a 5%, "como os dos nossos competidores" e não os 14% atuais. Segundo Mantega, a reunião com Delfim foi a primeira de uma série de discussões a serem realizadas com economistas no banco. Na próxima terça-feira, haverá um seminário com a presença de outros especialistas, que coincidirá com o lançamento de um novo boletim do BNDES, com ênfase nos investimentos.

Para Antonio Barros de Castro, diretor de planejamento do banco, o Brasil está em momento de transição da estagnação para o crescimento. "A economia brasileira, de uns tempos pra cá está mostrando sinais contraditórios: ora parece que está péssima, ora que não vai mal. Esse quadro contraditório é sintomático de uma transição da estagnação para o crescimento. Estamos na virada", disse.