O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou hoje (17) que a CPMI do Mensalão atrapalhou as investigações em torno dos parlamentares envolvidos nas denúncias de recebimento de dinheiro do chamado "valerioduto". Segundo ele, a CPI do Mensalão – que acabou sem um relatório no fim do ano passado – ficou responsável pela quebra de sigilo dos envolvidos no episódio e, por isso, de acordo com Serraglio, os parlamentares da CPMI dos Correios não têm mais condição de investigar os parlamentares envolvidos nas denúncias.

"A CPMI da Compra de Votos significou a obstrução do nosso trabalho de investigação", disse o relator, acrescentando que essa atribuição agora está com o Supremo Tribunal Federal (STF), particularmente nas mãos do ministro Joaquim Barbosa.

Serraglio considera que com o prejuízo causado pela CPMI do Mensalão, os deputados e senadores da CPMI dos Correios não podem ser cobrados por resultados em torno dos deputados que receberam o dinheiro do empresário Marcos Valério. "Nós não temos competência para investigar o ‘mensalão’. Subtraíram intencionalmente da CPI dos Correios essa competência", afirmou Serraglio. Segundo ele, não cabia à CPI dos Correios pedir a quebra do sigilo bancário, telefônico e fiscal dos deputados envolvidos no mensalão. "Se a CPI do Mensalão terminou em pizza é um problema político", disse.

Serraglio também afirmou que a Receita não deve informações acerca dos deputados do "mensalão" à CPMI dos Correios, como foi noticiado na imprensa, porque não foi aprovada a quebra de sigilo dos parlamentares na Comissão. "A CPMI dos Correios não teve oportunidade de avançar nessa questão", disse o deputado.

O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, reiterou hoje que a Receita não tem pendência alguma de fornecimento de dados para a CPI dos Correios. Segundo ele, todos os pedidos foram atendidos e somente um ainda não foi, mas está dentro do prazo legal previsto. Rachid participou de audiência pública na sub-relatoria de Normas e Combate à Corrupção na CPI dos Correios.

Ontem (16), a Receita já havia emitido nota à imprensa contestando as acusações de que estaria prejudicando os trabalhos por meio da falta de informações. "Desde sua criação, a CPI dos Correios enviou à Receita 136 pedidos de informações diversas. Desse total, 135 foram atendidos totalmente. A única solicitação ainda pendente, ressalte-se, foi encaminhada no início deste ano, estando a Receita dentro do prazo preestabelecido", dizia a nota, acrescentando que a Receita atendeu a todos os 487 pedidos de quebra de sigilo fiscal de pessoas físicas, empresas e fundos de pensão que lhe chegaram da CPI