Brasília (AE) – O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje que, além de "blindar a economia" neste momento de crise, é preciso "blindar também os direitos fundamentais da pessoa humana". Ele atacou a forma como muitas denúncias estariam sendo veiculadas pela imprensa – segundo ele, sem preocupação com a veracidade ou em dar o direito de defesa aos acusados. "Não se pode cometer fuzilamento sumário", disse. "Ninguém pode ser condenado a priori, antes de ser julgado."

Bernardo protestou contra a divulgação das denúncias de Soraya Garcia, que o envolveu em suposto esquema de caixa 2 para a reeleição do prefeito de Londrina (PR), Nedson Micheleti (PT). "Estou sendo condenado pelos órgãos de imprensa por causa do depoimento de uma moça que não me conhece, admitiu não ter me visto praticando nenhum ilícito e apenas disse supor que uma coisa tinha acontecido", desabafou o ministro. "Publicaram coisas sem me dar o direito de defesa."

Soraya, que foi colaboradora da campanha de Micheleti, denunciou sonegação de R$ 6,5 milhões nos gastos apresentado pelo comitê financeiro à Justiça Eleitoral. Em seu depoimento ao promotor eleitoral Sérgio Correia de Siqueira, da 41.ª Zona Eleitoral, ela disse que o suposto caixa 2 teria recebido colaboração do PT nacional, por meio do então deputado Paulo Bernardo e do deputado estadual André Vargas.

No depoimento, argumentou o ministro, está dito que Soraya não viu os parlamentares levarem dinheiro. "As denúncias estão sendo divulgadas sem análise crítica", opinou.

Bernardo afirmou que alguns setores da sociedade não escondem "uma alegria mórbida" pelas dificuldades do PT. "Existe uma comemoração porque o PT está atolado como todo mundo. É como se as pessoas estivessem felizes porque o PT é igual a todos os outros partidos, não é imaculado."

Na avaliação do ministro do Planejamento, é preciso separar o que é caixa 2 de campanha eleitoral da corrupção. "Se essa separação não for feita, a realidade não será mostrada ao País e a sociedade não avançará."