A África do Sul iniciou uma longa despedida da Copa do Mundo esta sexta-feira, com uma parada comemorativa pelas ruas de Soweto, dois dias antes da grande final entre Holanda e Espanha, as duas seleções que disputarão o título inédito de campeão mundial de futebol.

Quatro coloridos carros alegóricos, inspirados em temas futebolísticos, desfilaram por três quilômetros, encabeçados por crianças que dançavam em volta de uma réplica gigante do estádio Soccer City e de um boneco representativo da “Mama Africa” (mãe África).

“O carnaval de Soweto acontece normalmente no último dia do ano, mas por causa da Copa do Mundo, aconteceu agora”, comentou Maphiwe Ndaba, enquanto participava do desfile. “É bom que o carnaval do futebol tenha vindo a Soweto. Muitas pessoas podem desfrutá-lo e podem celebrar o futebol”.

Iniciado em um shopping center moderno e terminando e uma praça, emoldurada por um hotel sofisticado, o percurso deu mais um exemplo da “nova” África do Sul que a nação projetou em todo o mundo durante o torneio.

O lendário distrito, conhecido por ser um símbolo de resistência durante o regime do apartheid, imposto pela minoria branca, agora tem às suas portas o suntuoso Soccer City, chamando atenção para a transformação de Johannesburgo 16 anos depois das primeiras eleições multirraciais do país.

O presidente Jacob Zuma enalteceu a unidade social inspirada pela Copa do Mundo, embora alguns já especulem quanto este espírito irá durar.

“Sentimos como se estivéssemos em uma final da Copa do Mundo”, comparou Evans Shivambu, enquanto transcorria o desfile. “Mas depois, tudo voltará ao normal e não haverá mais brancos em Soweto”.

No entanto, as autoridades esportivas já organizam uma partida de rúgbi no Soccer City, esperando sedimentar o caminho para que negros e brancos continuem lado a lado nas arquibancadas.

Para o fim de semana da final, as maiores redes hoteleiras estão com lotação esgotada em Gauteng, província que inclui Johannesburgo e a vizinha capital administrativa, Pretória.

Esgotados também estão os ingressos para a partida, segundo a FIFA, enquanto se espera que a audiência televisiva mundial chegue a 500 milhões de telespectadores no grande dia, no domingo.

A estrela pop americana Shakira encabeçará a cerimônia de encerramento que antecederá o jogo, para o qual são esperados 15 chefes de Estado, inclusive o controverso presidente zimbabuano, Robert Mugabe, proibido de viajar a Europa e Estados Unidos.

Charlize Theron, a mais famosa estrela sul-africana de Hollywood, já teria chegado à terra natal para assistir à final, ao lado de Morgan Freeman, que interpretou Nelson Mandela no filme “Invictus”.

Segundo a polícia, ajustes finais estão sendo implementados na segurança, que poderia incluir restrições de circulação na principal via da cidade para facilitar o fluxo de trânsito rumo ao estádio.

Autoridades aeroportuárias avisaram aos passageiros VIP que serão adotadas medidas mais estritas para o controle de jatos particulares antes da final, depois que um congestionamento nas pontos de aterrissagem provocou o atraso de seis voos comerciais, levando alguns torcedores a perderem a semifinal na qual a Espanha garantiu uma vaga inédita para uma final da Copa do Mundo, ao vencer a Alemanha.

As autoridades de transportes também fizeram um alerta aos torcedores para que se planejem a chegar cedo ao estádio, usando preferenciamente o transporte público, já que trens de passageiros oferecerão viagens grátis às pessoas com ingressos.

Segundo a Fifa, a assistência geral às partidas da Copa do Mundo da África do Sul superou os três milhões de espectadores, sendo apenas o terceiro torneio a conseguir esta marca, parcialmente por causa dos enormes estádios que o país construiu para sediar os jogos.

“A África pode se orgulhar, a África do Sul, ainda mais, e o futebol africano também pode se orgulhar”, elogiou o presidente da FIFA, Sepp Blatter, durante entrevista coletiva. “Estamos quase no fim e eu sou um presidente satisfeito”.

A África do Sul também superou os temores de que o crime pudesse ofuscar o Mundial, uma vez que o país tem elevadas taxas de criminalidade, com uma média de 50 assassinatos por dia. No entanto, finalmente, apenas alguns crimes violentos foram relacionados à Copa do Mundo.