Em 29 de janeiro de 1985, 1.500 lavradores de 23 estados brasileiros se reuniram em Curitiba para o primeiro Congresso Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Fundado no ano anterior, o movimento já havia transposto as fronteiras de sua região de origem – o Sul – e fincado bases no Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Vinte anos depois, o MST – como o movimento logo ficaria conhecido – é sem dúvida um movimento de expressão nacional (no ano passado, ao completar vinte anos, o MST foi homenageado em sessão solene na Câmara dos Deputados). Seu estado atual é resultado de uma expansão que começou a se definir no congresso em Curitiba. "O congresso foi definidor do que o MST é hoje. Naquele congresso se decidiu que o MST ia sair do Sul e ir para todo o Brasil. Nos anos seguintes, ele realizou uma expansão nacional", afirma o geógrafo Bernardo Mançano, professor da Universidade Estadual de São Paulo e autor do livro A formação do MST no Brasil.

O sociólogo Zander Navarro, ex-assessor do MST e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ressalva que no congresso houve apenas a ratificação de uma definição de rumos que já havia sido feita internamente, na cúpula do movimento. De qualquer forma, foi no congresso que os princípios fundamentais da organização do MST foram formalizados. Ao fim do congresso, no dia 31 de janeiro, os participantes aprovaram um documento para ser entregue aos governos estaduais e federal. Nele, foram delineadas as diretrizes que o MST seguiria nos próximos anos, e que fariam dele o mais importante (e controverso) movimento social da Nova República brasileira.

A tática de ocupação de terras é a diferença mais visível do MST para outros movimentos rurais. Foi ela que lhe deu a projeção que tem hoje na esfera pública nacional.