Dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) sobre o mercado de pilhas do Brasil revelam uma situação alarmante. Num ano são comercializadas 80 milhões, das quais 20 milhões têm origem clandestina. A situação preocupa não apenas porque o consumidor sai lesado, mas porque a concentração de metais pesados nas pilhas falsas é elevadíssima, causando danos ao meio ambiente e à saúde. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) está determinada a acabar com o problema e começa a realizar uma campanha que vai envolver a população, revendedores e fabricantes.

Na hora de comprar uma pilha é preciso ter cuidado para não levar para casa um produto altamente tóxico. São vários os metais pesados encontrados no material, como o mercúrio, chumbo, titânio, lítio e cádmio. As pilhas verdadeiras obedecem a legislação e possuem níveis baixos. O mesmo não ocorre com as demais e a diferença assusta. Enquanto a tolerância estabelecida para a presença de mercúrio é de 0,010 miligramas, as falsas chegam a ter 80 miligramas. As originais possuem massa de ferro de 0,7%, enquanto as outras entre 3% e 5%.

Todo esse metal pesado acaba contaminando o meio ambiente e também as pessoas. O secretário do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, explica que eles produzem efeito cumulativo – o corpo vai armazenando o material a cada contato. As crianças acabam sendo alvo fácil, uma vez que boa parte dos brinquedos requer o uso de pilhas. Entre os problemas que causa, estão danos ao sistema nervoso.

Programa

Através do Programa Desperdício Zero, a Sema quer mudar essa realidade. Estão em contato com a Abinee fabricantes e revendedores para criar uma espécie de selo, facilitando a identificação da pilha verdadeira. Por enquanto, o consumidor pode desconfiar do preço. "Elas são bem mais baratas do que as verdadeiras", comenta Cheida.

Outra dica importante é ficar atento à duração das pilhas. "Fizemos um teste em um walkman e a falsa agüentou seis minutos enquanto a original tocou durante três horas", exemplifica o coordenador estadual de Resíduos Sólidos, Laety Dudas. Ele ressalta ainda que apesar de mais barata, acaba dando prejuízo, já que vai durar bem menos.

O Procon e o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) também devem participar da fiscalização. Além de acabar com o mercado irregular e com o despejo deste material altamente tóxico no ambiente, será criado um programa para recolher as pilhas verdadeiras. Embora o material apresente níveis baixíssimos de metais pesados, em grande volume também acabam gerando danos ambientais. Será convocada a participação da população, revendedores e fabricantes.