Terminou ontem o prazo para a desocupação pacífica do terreno invadido desde o dia 6 de setembro, no bairro Campo Comprido, em Curitiba. No entanto, as famílias que estão no local afirmam que não deixarão a área.

O advogado do grupo, Carlos Marques, disse que hoje deve apresentar um recurso na Justiça para tentar reverter a ordem de desocupação. A determinação foi da juíza da 19.ª Vara Civil e atende a um pedido da empresa proprietária do terreno, a Varuna Empreendimentos Imobiliários.

Segundo Marques, constam nos autos do processo que três mil famílias estão na área, totalizando cerca de 10 mil pessoas. Ele e outro advogado batalham para manter as famílias no local. Um dos questionamentos que fazem está relacionado à propriedade do terreno.

Marques comenta que existem também outras pessoas que mostram documentos e se dizem donas do local. Do outro lado, a empresa Varuna afirma que não existe problemas com a documentação da área – uma das provas seria a concessão do pedido de reintegração de posse pela Justiça.

No local, os ocupantes sabiam que o prazo para a desocupação pacífica venceu ontem, mas ninguém demonstrava que sairia do local. Um ocupante, que pediu para não ser identificado, disse que a intenção era permanecer. No entanto, afirmou que se a polícia chegasse para fazer a desocupação, não haveria confronto.

As famílias estão no local há 18 dias e alguns ergueram barracas, outros construíram pequenas peças de madeira e fizeram ligações elétricas irregulares. Enquanto alguns recebem os carros de reportagem com cara de poucos amigos, outros procuram abrir diálogo.

Informaram que no local há muita gente que passa necessidade. Para ajudá-los, foi montado uma cozinha comunitária que servem refeições feitas com doações duas vezes por dia. Já há pessoas morando no local e outros que querem levar os móveis porque o aluguel já venceu e não há dinheiro para pagá-lo.

A maioria afirma que está ali porque não consegue comprar um imóvel e nem manter o aluguel. Mas em contrapartida, no terreno são vistos carros circulando, alguns até modelos caros.

Outro ocupante disse que quando questionam essas pessoas, elas afirmam que não têm renda necessária para financiar um imóvel, ao passo que para financiar o carro não há tantas exigências. A intenção dos ocupantes é montar um grupo para ir até a Prefeitura relatar a dificuldade das pessoas e verificar o que pode ser feito.