Foto: Arquivo/O Estado

 Estudos recentes mostram a importância de se investir na educação infantil.

Apenas 9,43% das crianças brasileiras entre 0 e 3 anos têm acesso às creches, segundo a pesquisa Educação da Primeira Infância, realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O índice de freqüência no Paraná é de 9,67%, ocupando apenas a 11.ª colocação no Brasil. Mas o Estado possui três cidades, todas situadas na região Noroeste, entre as 10 primeiras no País em relação à presença proporcional das crianças: Munhoz de Melo (48%), Ângulo (43,02%) e Lobato (42,48%). No ranking específico das capitais, Curitiba possui 18,86% de freqüência em creches, sendo 7,61% em unidades públicas e 10,77% em privadas.

O levantamento ainda abordou a freqüência na pré-escola. No Brasil, 61,36% das crianças entre 4 e 6 anos estão inseridas nessa fase da educação infantil. O Paraná ocupa a 20.º posição, com 53,25% das criança atendidas. Os municípios paranaenses, também localizados na região Noroeste do Estado, com os maiores índices de presença, são Flórida (94,98%), Nova Aliança do Ivaí (94,87%) e Floresta (93,26%). Curitiba, nesse quesito, tem freqüência de 25,72% das crianças nas pré-escolas privadas, e de 31,05% nas públicas, sendo considerada a 18.ª colocada entre as capitais nos dois casos. ?São números baixos quanto às creches, mas a pesquisa aponta boas notícias quanto à pré-escola, com freqüência relativamente alta. As creches estão com números baixos e estagnados?, explica Marcelo Neri, coordenador da pesquisa da FGV.

A pesquisa indicou, baseando-se em levantamentos do professor norte-americano James Heckman – Prêmio Nobel de Economia em 2000 e um dos autores do estudo da FGV -, que crianças que freqüentaram creches e cursaram a pré-escola apresentam renda mais alta quando adultos em relação àqueles que não passaram pelo ensino infantil. ?Durante a creche, a influência dos pais também é importante. Os estudos têm mostrado a importância de se investir na educação infantil. O retorno do investimento é grande?, comenta Neri. As creches também desempenham papel social significativo, pois as mães podem ir trabalhar e deixar seus filhos nessas unidades.

Ele acredita que o estudo foi divulgado em um momento apropriado, quando o Congresso Nacional está analisando a proposta do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), entregue pelo governo federal. O projeto não contempla as creches, única parcela excluída da proposta. ?É altamente recomendável que as creches sejam incluídas, com mais recursos e melhora na qualidade de suas aplicações. Mas é preciso fazer de maneira correta, com acompanhamento posterior?, avalia Neri. As creches possuem custos altos de manutenção. Segundo dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), o custo médio de cada matrícula de creche no Brasil é de R$ 2.417,31, enquanto o valor para o ensino médio é de R$ 1.307,82. Os municípios não são obrigados a oferecer o serviço.

Curitiba planeja ampliar educação infantil

A diretora do departamento de educação infantil da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, Ida Regina Moro Milléo de Mendonça, diz que é importante considerar que as creches de algumas capitais pesquisadas pela FGV trabalham em meio período e, por isso, conseguem dobrar o número de crianças atendidas. O turno das creches curitibanas é de 11 horas, começando às 7 da manhã e terminando às 18 horas. Ela também destaca que a capital é uma das poucas com rede própria de atendimento maior do que a conveniada. São 152 unidades públicas e 77 centros mantidos por meio de convênios.

Ida conta que um dos planos de governo da Prefeitura de Curitiba é a expansão da educação infantil, que está sendo feita por meio de construção de novas unidades, ampliação das creches já existentes, criação de mais vagas de pré-escola e aumento no número de convênios.

Estão sendo atendidas 33,5 mil crianças em creches de Curitiba, sendo 24 mil em unidades públicas e 9 mil na rede conveniada. ?A busca pela creche é grande, mas estamos trabalhando para suprir a demanda. A meta, em 2006, é abrir mais 2,4 mil vagas?, conclui Ida.

Ela confirma que os gastos para manter as creches são muito altos, pois há especificidade quanto à alimentação, tempo de atendimento, uniformes e material pedagógico. Além disso, há uma relação menor entre o número de crianças e profissionais. Na escola, um professor cuida de até 25 alunos; nos berçários das creches, são 4 adultos (um deles é a lactarista) para 18 bebês. (JC)