De acordo com dados do Ministério da Saúde, as doenças que mais matam atualmente no País são os acidentes cardiovasculares de coração e cerebrais. Em 2005, das 283 mil mortes decorrentes de doenças do aparelho circulatório, 90 mil, ou 31,7%, foram causadas por Acidente Vascular Cerebral (AVC). Por conta disso, profissionais da Medicina alertam para medidas que podem evitar o aumento desses números.

Para o médico neurologista, geriatra e gerontólogo do Hospital Pilar em Curitiba, Luiz Carlos Benthien, um atendimento rápido e realizado por profissionais de áreas diversas e integradas pode evitar que um indivíduo que tenha sofrido um AVC, popularmente conhecido como derrame, saia do episódio com sequelas, além de diminuir a possibilidade de óbito.

“O paciente precisa de uma solução num prazo de duas horas, que chamamos de janela terapêutica. Caso o paciente seja atendido e medicado nesse tempo, as chances de ele voltar ao normal são grandes”, afirma.

Foi o que aconteceu com o comerciante Paulo Celso Barbosa, de 65 anos. Há seis anos, ele sofreu um AVC que afetou parte dos movimentos do lado esquerdo do corpo.

Após um período de fisioterapia, ele recuperou a sensibilidade afetada. “Hoje sinto apenas dificuldades para falar, mas as pessoas quase não notam isso”, conta.

De acordo com o comerciante, o atendimento integrado decorrente do AVC possibilitou que os médicos identificassem um outro problema crônico, que teria culminado no derrame.

“Não sabia que sofria de pressão alta.” O neurologista explica que, além do socorro rápido, o trabalho integrado de especialistas é fundamental no tratamento dos pacientes. “Toda a equipe precisa obedecer a um fluxograma, que objetiva, num atendimento multidisciplinar, a prioridade para salvaguardar a vida”, diz.

Num termo mais coloquial, Benthien compara a atuação da equipe de médicos a uma orquestra musical. “Tem que haver uma coordenação perfeita. Como se fosse uma orquestra regida por um maestro, um profissional mais experiente que atue como regente para que haja um atendimento cronológico e prioritário no caso de uma emergência”, explica.

Segundo Edilamar Moro Dach, cardiologista do Hospital Pilar, “a opção pela integração das visões de especialidades ante o paciente portador de doença cardiovascular demonstra resultados mais abrangentes na qualidade do atendimento, nos cuidados, na orientação terapêutica e sobretudo na preservação da vida”, diz.