Os agentes penitenciários do Paraná realizaram ontem uma paralisação de alerta contra a possível mudança na escala de trabalho. Eles prometem uma greve geral a partir do dia 12 de setembro se a medida for implantada.

Atualmente a categoria, que atua em 19 unidades peniteciárias do Estado, cumpre uma escala de 24 horas de trabalho por 48 horas de descanso. A intenção do Departamento Penitenciário (Depen) é alterar a escala para 12h por 36h, a partir do ingresso dos agentes aprovados em concurso público.

Durante o dia de ontem, os agentes ficaram concentrados em frente a sede do Depen, no bairro do Ahú, em Curitiba. Com faixas e carro de som, os manifestantes criticaram a proposta de mudança de escala.

O relações-públicas do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), Clayton Agostinho Auwerter, disse que a alteração na escala foi divulgada em julho de 2003 "por questões de saúde", mas acabou não sendo implantada por falta de funcionários. "Na época não tinha efetivo para isso, então não foi implantada. Agora, dos 1.200 agentes que passaram no concurso, 800 já estão prontos para assumir e o contrato já está sendo feito dentro dessa nova escala", explica.

Além de alegarem que com a nova escala haverá um retrocesso salarial, os manifestantes reclamam que essa jornada de 12h por 36h corta ao meio as atividades desenvolvidas nas unidades, e não oferece tempo suficiente de compensação. "Essa escala gera perda salarial de até R$ 500, pois não seria paga hora extra, como recebemos atualmente. Estamos pedindo uma escala de 24 por 72, pois o que gera o stress não é tanto o trabalho com os presos, mas estar de prontidão para qualquer situação. Precisamos de três dias para nos recuperarmos, nos desvincularmos e para convívio social e familiar", explica Clayton.

A intenção dos agentes penitenciários com a mobilização foi tentar abrir um canal de negociação junto ao Estado. "Se o Estado não se manifestar e estabelecer um acordo, virá greve geral para o dia 12 de setembro em todo o sistema", afirma. Segundo levantamentos dos sindicato, dos 1.260 agentes penitenciários no Estado, mais de 800 teriam aderido à paralisação. No entanto, o secretário de Justiça do Paraná, Aldo Parzianello, não reconheceu esses números, e afirmou, através de sua assessoria de imprensa, que "foi um dia normal de trabalho."