Um estudo feito pelo setor de oncologia do Serviço de Pele e Melanoma do Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, revelou que trabalhadores rurais e a população de baixa renda do Paraná são os mais vulneráveis a sofrer com o câncer de pele.

Segundo especialistas, a descendência desses trabalhadores rurais e ausência de utilização de protetor solar facilitam o desenvolvimento da doença. No ano passado, em todo o Paraná, o Instituto Nacional de Câncer registrou uma média de 7,5 mil casos novos desse tipo de câncer.

Para chegar a tal constatação, a equipe avaliou 185 pacientes que foram tratados da doença no hospital. “Sabemos que a incidência de câncer de pele no Paraná é a mais alta do Brasil. Isso acontece por causa da mistura de raças no nosso Estado. Aqui temos muitos claros, descendentes de pessoas que vieram de países como a Polônia, Ucrânia e Hungria. Como o Paraná é extremamente agrícola, muitas famílias partiram para esse ramo, onde os trabalhadores passam horas expostos ao sol”, explica o oncologista e especialista em pele, Marcos Flávio Montenegro.

Montenegro conta que, segundo a pesquisa, feita entre dezembro de 2007 e março de 2008, 83,78% das pessoas entrevistadas (vítimas de câncer de pele) eram analfabetas ou apresentavam ensino fundamental incompleto; 72,43% trabalhavam na lavoura. Por outro lado, apenas 6,49% usavam bloqueador solar frequentemente.

“O protetor solar é algo imprescindível para tratar o câncer de pele. O ditado já diz: é melhor prevenir do que remediar. Esse é o caso do câncer de pele. Quanto antes começarmos a nos cuidar com o sol, menos problemas teremos no futuro. É uma questão de conscientização”, alerta.

Lei

O especialista diz ainda que pretende levar ao Senado, em Brasília, uma proposta para que o protetor solar passe de um artigo de perfumaria para um artefato de proteção, como um remédio.

“O protetor solar não é algo para beleza, e sim uma ferramenta que previne o câncer de pele. É o que defendemos. Partimos da premissa de que o uso do protetor é um fator preventivo nesse tipo de neoplasia, já que existe uma relação diretamente proporcional entre a exposição ao sol e a doença”, relaciona.

A alteração da classificação do protetor solar, bem como a promoção de mudanças nos hábitos da população, foram as alternativas levantadas pela equipe para redução da incidência do câncer de pele no Paraná, bem como no Brasil.

“Esses resultados apontam que a dificuldade financeira da população pesquisada é que nos motiva a pedir que o governo altere a denominação do bloqueador solar de produto estético para o grupo de medicamentos, o que poderia até abrir portas para bloqueadores mais baratos”, estima.