Em Londrina e Maringá, os representantes da Associação dos Laboratórios de Análises Clínicas do Paraná (Alapar) decidiram na semana passada suspender o contrato com os planos de saúde que integram a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) para a realização de exames. Amil, Santa Casa Saúde, Santa Rita Saúde e Pam são alguns desses planos.

Os laboratórios alegam dificuldades financeiras para a realização dos exames.

A defasagem financeira entre os custos dos serviços e os valores pagos pelos planos ultrapassaria 200% em alguns casos. Os proprietários de laboratórios alegam que um exame de colesterol, por exemplo, com remuneração a R$ 2,80, apresenta um custo de R$ 7. Outra reclamação dos laboratórios é que os planos de saúde e convênio reajustam anualmente os valores cobrados dos usuários e, mesmo assim, não repassam para os médicos e para os laboratórios.

Mesmo com o cancelamento do convênio nas duas maiores cidades da região Norte, os pacientes continuam sendo atendidos, agora no sistema de reembolso. Os laboratórios realizam o serviço e fornecem uma nota fiscal que será encaminhada aos planos de saúde. Os pedidos de reajuste variam entre 20% e 30%.

Em Curitiba, a negociação com os grupos de convênio continua e, por enquanto, prossegue sem alterações. Ontem, a Alapar reuniu os associados no Conselho Regional de Farmácia (CRF-PR), para formar uma comissão que vai participar dos encontros com os grupos que atuam no Paraná.

A negociação vai ocorrer com a Abramge, com a Federação Nacional das Empresas de Seguro Privado e de Capitalização (Fenaseg) e com a Associação das Entidades Paranaenses de Autogestão em Saúde (Assepas). “A situação é insustentável. Trabalhamos no limite, mas o pagamento que é repassado não cobre os custos dos exames”, explicou o diretor da delegacia de Curitiba da Alapar, Agostinho Noronha.

Segundo a Alapar, diferente de Maringá e Londrina, todos os exames continuam sendo realizados regularmente na capital. A aplicação do sistema de reembolso ainda não foi avaliada pela entidade, e a suspensão dos convênios com os grupos vai depender das negociações que devem se estender até a próxima semana. A expectativa é de que o problema tenha um desfecho satisfatório. “Não é uma situação de confronto. Estamos dispostos a negociar e as operadoras demonstram a mesma posição. Acredito que com as negociações, a questão possa ser resolvida”, disse Noronha.