Chuniti Kawamura / GPP

Marcelo Woellner Pereira, da Villare Serviços de Alimentação, ressalta que a imagem  do alimento deve ser valorizada.

Os funcionários que fazem suas refeições nas empresas onde trabalham nem sempre comem da maneira como deveriam. Apesar desse tipo de serviço ser orientado por um nutricionista, os empregados realizam escolhas erradas na hora de colocar a comida no prato. Excesso de carnes, gorduras e carboidratos prejudicam a saúde do trabalhador e o seu rendimento na empresa.

Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais aponta que o consumo desses grupos de alimentos é elevado devido ao sistema self service, no qual não há determinações para as porções a serem servidas. Além disso, a quantidade de fibras ingeridas pelos funcionários é inadequada.

A nutricionista Flávia Ferreira Sguario conta que é muito difícil agradar todos quanto às refeições dentro da empresa. São vários fatores que se devem levar em conta nesse segmento: o contrato com quem faz ou serve as refeições, o custo disponível para o serviço, a safra dos alimentos. E ainda é preciso combinar variedade, forma de preparo, cores e apresentação da comida. ?A apresentação é muito importante porque as pessoas comem com os olhos primeiramente?, afirma. Marcelo Woellner Pereira, da Vil-lare Serviços de Alimentação, destaca que a decoração e apresentação dos pratos é uma ferramenta vantajosa para atrair o consumo porque não possui custos extras. Ele acredita que também é necessário investir no ambiente onde se faz a refeição. ?Em vez de tratar como refeitório, estamos levando a concepção do restaurante comercial. Saem os bandeijões e os balcões térmicos e entram os pratos e o rechout. Os funcionários passam o dia inteiro lá e a hora do almoço é o único momento de descanso?, enfatiza.

Segundo Flávia, apesar desse quadro, já se percebe que alguns trabalhadores mudam aos poucos seus hábitos alimentares em função do tipo da comida oferecida. Um exemplo disso é o fato das saladas virem antes de outros tipos de alimentos, o que acaba estimulando o consumo desse grupo alimentar. Ela comenta que cada funcionário precisa saber o quanto e o que pode comer.

Pereira indica que os hábitos alimentares podem ser alterados a longo prazo. ?É difícil entrar para uma empresa já com seu hábito e precisar entrar em uma rotina diferente. Mas é possível mudar?, frisa. Uma maneira de conscientizar os colaboradores são as campanhas que ressaltam a importância e as propriedades de cada alimento. Cartazes e folhetos podem ser fixados em quadros de aviso e nas mesas do restaurante.

A nutricionista explica que as empresas já pensam na refeição como uma questão de qualidade de vida e de prevenção de doenças. A alimentação incorreta pode contribuir para o excesso de peso e isso pode desencadear vários problemas, como dor nas costas, artrite e artrose (nestes dois últimos casos quando a pessoa já tem pré-disposição). ?Um funcionário que se alimenta melhor responde melhor no trabalho?, ensina Flávia.