As mensalidades dos planos de saúde são reajustadas anualmente, sob o argumento que as operadoras precisam se ressarcir dos custos crescentes dos tratamentos de saúde. Contudo, o corpo médico responsável pela assistência de todos os usuários, reclama que está há 18 anos sem aumento no valor repassado nas consultas e procedimentos.

Para definir a melhor maneira de corrigir esta distorção, representantes de entidades médicas participarão hoje de uma reunião, às 20h, na Associação Médica do Paraná (AMP). A Comissão Estadual de Honorários Médicos do Paraná lidera o debate.

Segundo o presidente da AMP, José Fernando Macedo, através do convênio a maior parte das operadoras paga valor de consulta baseado em uma tabela de 1992. As empresas de auto gestão pagam um pouco mais, baseadas na Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPN), de 2003, mas desde então o valor básico de cada consulta não passa de R$42. “A Agência Nacional de Saúde já autorizou aumento em mais de 100% no honorário médico, mas nada disso foi repassado ao profissional. O valor dos procedimentos médicos está congelado e já houve mais de 400% de inflação nesses 18 anos sem reajuste”, ressalta o presidente.

José Fernando acredita que a situação pode ser resolvida se forem traçadas estratégias com as operadoras de saúde. A reunião de hoje marca o início da mobilização da classe. “O médico está cada vez mais pobre, o consumidor paga mais e as operadoras estão mais ricas”, garante.

Conversa

Em maio, durante o Pré-Encontro Nacional das Entidades Médicas da região Sul-Sudeste, a defasagem no honorário dos médicos foi um dos tópicos discutidos. Desde então, a AMP tentou dialogar com representantes das operadoras, mas não obteve retorno.

Através da assessoria de imprensa, a Unimed informou que não foi formalmente comunicada da reunião da AMP e, portanto, não poderá se manifestar sobre o assunto. Já o superintendente da Unidas no Paraná, Mauro Pereira, informou que retornou ontem de viagem e também não foi comunicado da reunião, mas declarou que “tudo é negociável”.