Entre abril e setembro deste ano, cerca de dois mil médicos pediram descredenciamento de operadoras de planos de saúde e deixaram de atender nesta modalidade. Isto foi o resultado da mobilização dos médicos por melhores pagamentos pelas consultas realizadas por meio de planos de saúde.

Os reajustes, de acordo com a categoria, não seguiram os aumentos aplicados pelas operadoras para os usuários na última década. E até agora os planos de saúde não fecharam acordos para melhorar a remuneração.

Como continuidade nas ações para pressionar as empresas, nesta quarta-feira (21) médicos de todo o País não atenderam consultas eletivas pelos planos de saúde. A paralisação de 24 horas atinge todas as operadoras, de acordo com o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), João Carlos Baracho.

“Até agora, boa parte das operadoras não se manifestou sobre as reivindicações dos médicos. Já foram dois mil descredenciamentos entre abril e agora. Se continuar desta maneira, a solução será realmente a saída do médico. A impressão que temos é de que os planos são resistentes em rever as suas margens de lucro”, comenta.

Baracho conta que, nos últimos 10 anos, as operadoras reajustaram o serviço em 150% para o usuário, enquanto o aumento dado para os médicos não chegou a 50%. Em 2007, a média do valor pago no País por uma consulta era R$ 37. Hoje, o repasse é de R$ 40.

“Houve uma renegociação no Distrito Federal e nós entendemos que deve haver isonomia. Mas houve avanço já. Alguns planos de saúde abriram a possibilidade de negociar imediatamente. Este movimento não para aqui. É irreversível. Alguns planos estão com propostas escalonadas e queremos estabelecer um reajuste anual com índice determinado para que não volte o desequilíbrio”, afirma.

O presidente da AMP diz que uma das possibilidades para o futuro é desvincular as consultas do atendimento previsto nos contratos dos planos de saúde. Na prática, o médico atenderia por consultas particulares. Mas os exames e outros procedimentos poderiam ser requisitados pelos médicos por meio do plano.

De acordo com Baracho, isto poderia causar uma redução no valor cobrado pelas operadoras. Sobre o valor que passaria a ser cobrado pelos médicos para as consultas particulares, ele ressaltou que o preço seria regulamentado pelo próprio mercado e o plano de saúde poderia ressarcir parte do valor pago pelo usuário diretamente ao médico pela consulta.

A AMP, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) e o Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar), entidades que integram a Comissão Estadual de Honorários Médicos, devem passar um balanço sobre a paralisação ainda nesta quarta-feira.