Foi-se o tempo em que os animais de estimação ficavam no fundo do quintal, limitados à função de cuidar da casa e brincar com as crianças. Hoje, em muitas residências, eles são considerados verdadeiros membros da família, recebendo tratamento vip.

Como se fossem seres humanos, eles têm à disposição uma série de benefícios, que começam pelo tipo de alimentação. Atualmente, a refeição dos cães e gatos não se resume a restos de comida de seus proprietários. "Existe uma variedade grande de rações, inclusive produtos específicos para animais diabéticos, cardíacos, com problemas urinários ou intestinais", comenta o médico veterinário e proprietário da clínica Wistuba, em Curitiba, Glenoir Wistuba.

A saúde dos bichinhos também é garantida por uma série de tratamentos e exames médicos que, há alguns anos, eram exclusivos dos humanos. Cada vez mais completas e sofisticadas, as clínicas veterinárias oferecem raio X, atendimento cardiológico, dermatológico, odontológico, de acupuntura e até homeopático.

Junto com banho e tosa, alguns estabelecimentos também disponibilizam massagens especiais aos cães e gatos. "Nos dias de hoje, em que as pessoas estão cada vez mais distantes umas das outras, muita gente precisa dos animais para companhia", afirma Glenoir. "O carinho dos bichos é retribuído através de uma boa alimentação e bom tratamento".

Porém o cuidado com os animais também têm um custo financeiro, que geralmente não é pequeno. Uma consulta médica custa cerca de R$ 40, com especialista cerca de R$ 70, raio X sai aproximadamente por R$ 80, uma ecografia R$ 100 e uma limpeza de tártaro dentário entre R$ 150 e R$ 200. Alguns xampus medicamentosos podem custar até R$ 300.

Proprietária

Recentemente, a vendedora Lúcia Wveiwanko gastou R$ 350 em uma cirurgia para sua gata persa Keci, de dez anos. Segundo ela, o gasto é menos importante que a saúde do animal. "A Keci é o ser principal em minha família. Ela é mais importante que o dinheiro", declara.

Lúcia não se incomoda com a constatação de que a gatinha pode estar recebendo um tratamento muito melhor do que o dado a algumas crianças, que não têm sequer o que comer. "Todo ser é digno de respeito. Assim como a gente, os animais sentem dor e fome", justifica.