O período de volta às aulas traz muita ansiedade para pais e estudantes. Quando existem mudanças de escola, de série ou a entrada para a vida escolar, a expectativa é ainda mais exacerbada. Emanuella Chueire Cascardo Silva, de 14 anos, vai entrar no 1.º ano do ensino médio e ainda estará em uma nova escola neste ano letivo.

“Já fico ansiosa com qualquer coisa. Imagina agora. Vou conhecer novas pessoas, novos professores. Mas sempre fui fácil de fazer amizade”, afirma a estudante, que ficou por cinco anos no colégio anterior.

A passagem para o ensino médio, a saída do ensino infantil para o ensino fundamental, a transição para a 5.ª série, a entrada na escola e a mudança de colégio são fases que trazem dificuldades de adaptação. É essencial que os pais acompanhem os filhos de perto para que a adaptação ocorra sem maiores problemas.

“Toda e qualquer mudança nesse período precisa de cuidados. As dificuldades em um início de ano podem afetar o aprendizado, pela mudança do sistema de ensino, um número maior de disciplinas, um maior número de professores”, comenta Mary Lane Hutner, chefe do departamento de Ensino Básico da Secretaria de Estado da Educação.

Nas escolas estaduais, existe uma orientação para que os professores mais experientes atuem na 5.ª série. Assim, conseguem atender a expectativa e as necessidades do estudante que ainda passa pela fase de adaptação. Também há uma resolução para que haja menos alunos por sala, favorecendo um contato mais estreito do que o normal para a 5.ª série.

“Temos articulado com todos os municípios para que nos passem os pareceres destes alunos que estão deixando a 4.ª série (de responsabilidade municipal). Esse parecer possibilita que os professores já conheçam os alunos antecipadamente”, explica Hutner.

No caso da passagem da 8.ª série do ensino fundamental para o 1º ano do ensino médio, os estudantes também precisam encarar um número maior de disciplinas (12 matérias) e mais responsabilidades.

“A mudança para o ensino médio pode ser a mais traumática quando os pais dizem que seus filhos são mais independentes. Mas não são. Nessa idade, os pais precisam dar atenção. Os adolescentes tendem a se envolver demais nas relações sociais e esquecem o aprendizado. Não precisa olhar a “agenda’ todo dia, mas pelo menos tem que haver diálogo”, avalia Maria Sílvia Bacila, diretora do curso de Pedagogia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

É fundamental preparar os pequenos antes das aulas

O choro faz parte dos primeiros dias de aula de muitas crianças que estão iniciando a vida escolar ou que, ainda muito novas, mudaram de escola. As famílias devem explicar aos pequenos o que vai acontecer e realizar uma visita no ambiente antes do começo das aulas.

“Quando não há uma conversa anterior, pode haver uma entrada abrupta. A primeira coisa que deve ser feita é o pai se dirigir à criança na altura dela e passar segurança. Às vezes, o que provoca o choro é a insegurança dos pais, que perceberam que seus filhos têm outro mundo. Há pais que esperam do outro lado da rua e se decepcionam porque a criança chora um pouco e já começa a brincar, a interagir com outras crianças”, conta Nara Salamunes, diretora do Departamento de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de MEducação de Curitiba.

Ao contrário do que muitos pais pensam, eles não devem entrar na sala de aula do filho. Aquele é um espaço próprio dele, que deve ser respeitado.

Quando as crianças são bem pequenas, a adaptação no ensino infantil ou no 1.º ano do ensino fundamental pode ser feita gradativamente. É possível co,meçar com duas horas por dia e ampliar o tempo dentro da escola até o horário regular. “É importantíssimo que os pais busquem as crianças no horário combinado”, orienta Salamunes.

Visita à casa dos alunos facilita adaptação

Daniel Caron
Os gêmeos João Vitor e Eduardo Gabriel receberam a visita das professoras em casa dias antes de começar as aulas.

Os gêmeos João Vitor e Eduardo Gabriel Queiroz, de um ano e quatro meses de idade, começaram a fase de adaptação antes mesmo das aulas. O ano letivo deles começou na segunda-feira passada. Mas, uma semana antes, as professoras da escola fizeram uma visita à casa deles.

A professora do Maternal I, Tatiana Aparecida Bacaro, e a coordenadora de Educação Infantil, Carolina Batista Pereira, que trabalham na Escola Atuação, em Curitiba, visitaram as casas de todas as crianças de até um ano e meio que entraram no colégio neste ano.

“O objetivo é facilitar a adaptação. A própria professora que vai ficar com eles o ano todo faz essa visita. Cria-se uma proximidade entre família e escola e a criança sente que existe a mesma atenção que tem em casa. A professora entra no ambiente dela e vira referência para a criança também”, explica Pereira.

O aluno também não vai se “jogar” nos braços da professora assim que encontrá-la no primeiro dia de aula. Mas o período do choro diminuiu desde que este projeto foi implantado na Escola Atuação. “Antes, a adaptação demorava entre um mês e um mês e meio. Hoje, em 15 dias, a criança entra na escola sem chorar”, revela Bacaro.

A mãe Fernanda Meneguzzi já quis colocar os gêmeos na mesma escola da filha mais velha para facilitar a adaptação. Quando soube do projeto da escola, quis receber a visita da professora. “Interessante ter uma pessoa que eles já conhecem”, comenta.