Foto: Walter Alves/O Estado

 Baía de Antonina: um dos grandes pontos turísticos do litoral paranaense ainda aguarda investimentos para poder receber visitantes.

Com poucas novidades para esta temporada, o secretário municipal de Turismo de Antonina, Eduardo Nascimento, parece bastante desmotivado. ?Não vai ter nada de diferente ou de especial para atrair o turista. É triste afirmar isso, mas não temos nada programado: faltam recursos?, afirma Nascimento. Segundo ele, não é de agora que a cidade tem condições precárias e uma dívida alta – hoje em R$ 3 milhões, o que não dá muito ânimo para começar a melhorar.

É com esse pique, ou seja, lentamente, que algo começa a ser feito. Um primeiro passo seria tentar trazer de volta o trem de passageiros entre Antonina e Morretes, cuja linha está desativada há muitos anos e mais vida ao trapiche. ?A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) vai vistoriar a linha. Até dezembro, a gente espera ter conseguido. Estamos ainda negociando uma linha de barco entre Paranaguá e Antonina. Seria a única linha. É um absurdo: hoje temos o melhor trapiche e a melhor estação e não temos trem nem barco?, reclama o secretário.

?Vamos fazer tudo o que podemos, mas não podemos fazer tudo. Temos que arrumar desde buraco de rua até hospital. Isso aqui está abandonado há muito tempo. Imagine o turismo e a cultura?, desabafa Nascimento.

Quem sobrevive do turismo concorda. ?Até então o nosso turismo foi abandonado. Estávamos deixando de lucrar, pois não vendíamos. Agora já estamos sentindo que está melhorando, mas ainda falta muita coisa da parte de estrutura da cidade?, revela Gladson dos Santos, da Associação dos Artesãos de Antonina.

Uma necessidade prioritária seria a revitalização ou, pelo menos, uma melhoria na segurança da orla, justamente no trapiche. Sem muita movimentação e controle, hoje esses locais são paradas de arruaceiros. ?Esse seria um de nossos pontos negativos, mas ainda estamos tendo dificuldade em resolver. Falta apoio da PM?, lamenta Gladson.

Os rapazes que ficam na região, além de depredarem o que tem uma boa estrutura, sequer notam as placas e se banham em local proibido e de risco, pois contém estacas velhas sob a estrutura, entram na estrutura com bicicletas, o que também é proibido, quando não pescam, também contrariando o que diz a sinalização.

De acordo com a Polícia Militar em Antonina, um impasse sobre a questão da segurança pública seria o efetivo. ?Temos 24 policiias, o que para dar sensação de segurança para a população não é o suficiente?, afirma o tenente Ivan Luiz Matsuzava. Ainda segundo ele, como tem apenas duas viaturas além da limitação de pessoal, somente uma equipe faz a ronda à noite. ?Às vezes também temos problemas de manutenção de viaturas. Tem dia que não podemos fazer operações?, reclama o tenente. De acordo com a PM, para a temporada, outros dez policiais serão enviados para Antonina.

Secretaria busca alternativas turísticas

Limitada pela falta de estrutura e recursos, a Secretaria de Turismo de Antonina trabalhou este ano na reestruturação e na capacitação das pessoas que trabalham com o turismo na cidade, ministrando 25 cursos para a comunidade e profissionais da área. Um dos cursos é o de gastronomia que, segundo o secretário Eduardo Nascimento, tem um objetivo a ser testado já nesta temporada.

?Estamos desenvolvendo um novo prato típico à base de siri, que é um produto genuinamente local: seria o Siri na Gastronomia Turística. Essa ação agrega valor ao município: desde o pescador ao consumidor?, afirma Nascimento.

Essa novidade está sendo construída em conjunto entre as secretarias de Turismo e Agricultura e Pesca. Esta fica responsável em controlar a produção, inclusive reativando a Cooperativa de Pescadores local, desativada há algum tempo. Já ao turismo cabe a formatação dos produtos a serem oferecidos na cidade e a capacitação da mão-de-obra.

?Hoje a produção é pequena, não organizada e sem controle sanitário. Não catalogado, ou seja, sem acompanhamento, estima-se que Antonina produza cerca de duas toneladas de siri, por mês?, afirma Nascimento.

A idéia, portanto, seria controlar essa produção e fazê-la trazer lucro para o município na forma desde a casquinha de siri, já famosa na cidade, até pratos mais sofisticados como ensopados, moquecas e outros. ?A carne de siri, além de ser daqui, é muito prática e se adapta a qualquer formato na gastronomia. Posteriormente, vamos fazer todo um projeto de marketing e uma feira de divulgação, mas já em dezembro os visitantes vão encontrar esses produtos. Queremos fazer de Antonina a Capital do siri, como Morretes é do barreado?, antecipa o secretário. (NF)

Cidade precisa de mais investimentos em infra-estrutura

Outro ponto que afasta os turistas e também é um estorvo para os nativos é a questão do esgoto. ?A gente não tem rede de esgoto. Essa é uma necessidade urgente. Como não temos indústrias, o esgoto doméstico é a única poluição para o nosso mar aqui?, revela Gladson dos Santos, da Associação dos Artesãos de Antonina. Tal informação é confirmada pelo órgão local responsável pelo serviço, o Samae. ?Não temos qualquer tratamento de esgoto na cidade. Uma parte dos resíduos é jogada na baía, e outra fica em fossas sépticas?, afirma o diretor-geral do serviço, John Kennedy Abreu.

No entanto, essa situação está para ser mudada. ?Parcialmente, Antonina tem toda uma estrutura de esgoto já pronta e enterrada, mas ainda não funciona: tem tubulações, bombas elevatórias e duas lagoas de tratamento já prontas. Falta parte dos recursos para a conclusão?, afirma John. A parte restante do recurso – R$ 3,8 milhões, provavelmente vem do governo federal, liberada recentemente para investimentos em saneamento para diversos municípios do País. Se sair o esperado para Antonina, o atendimento com rede de esgoto passaria para 90% da área urbana.

Do jeito que está não tem como ficar. ?Dificulta muito a questão do turismo, por conta da balneabilidade da baía, assim como dificulta os projetos de fazendas marinhas. É uma questão – econômica, social e de saúde – grave que precisa ser resolvida. A questão do esgoto continua como sempre foi. É uma cidade histórica que continua abandonada?, afirma John Kennedy.

De acordo com o secretário de Estado de Turismo, Celso Caron, o Paraná tem o litoral como uma das regiões prioritárias em termos de ações para o turismo. No entanto, à secretaria não compete a disponibilidade de recursos e as obras de melhorias. ?Temos dado, a Antonina e Morretes, um apoio, que é recurso indireto, para secretaria municipal. Em Antonina, especificamente, estamos viabilizando a reforma do mercado municipal, que hoje está abandonado. Estamos estimulando para que as coisas melhorem. No entanto, as secretarias municipais tinham quem encontrar formas de viabilizar recursos próprios para investir na área?, afirma Caron. (NF)