Novos pedágios serão instalados no Estado. O governo federal anunciou ontem a abertura do processo de licitação para novos contratos de concessões rodoviárias. Entre os sete trechos, que somam mais de 2,6 mil quilômetros a serem concedidos no País, três estão no Paraná. Na BR-116, serão dois trechos: um de Curitiba à divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, outro entre São Paulo e Curitiba. Na BR-376/101/SC, o trecho a ser licitado é o que liga Curitiba a Florianópolis.

De acordo com a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), somente os trechos que passam pelo Paraná representam um total de 1,2 mil quilômetros que estão nessa segunda etapa de concessões. De hoje até o próximo dia 22, ocorre a primeira fase desse novo processo – do edital e dos estudos econômicos e técnico-operacionais. Durante a segunda fase, os editais e os contratos serão ajustados e uma nova resolução será editada. Somente na terceira fase, então, haverá a publicação dos editais e, em 60 dias, o leilão. O prazo das novas concessões é para 25 anos e até as tarifas máximas básicas para pedágio para os sete lotes já foram determinadas (ver quadro).

O presidente do Sindicato do Caminhoneiros (Sindicam) do Paraná, Diumar Bueno, recebe a notícia com adversidade. ?De um lado você se anima com a previsão de estradas mais bem conservadas e assistidas. Porém, por outro, já vem a preocupação com o pagamento da tarifa do pedágio, que é um encargo extra e quem paga é o caminhoneiro?, afirma. Segundo ele, a cada nova concessão a preocupação aumenta, não somente pelo preço, mas pelo fato de a ?lei do vale-pedágio? não ser totalmente cumprida. ?Muitos embarcadores não pagam e não há fiscalização quanto a isso. Nós, autônomos, ficamos prejudicados?, completa.

Já o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), Fernando Nunes, só tem uma opinião sobre o assunto. ?Sou contra mais pedágios no País. Vai ser um ônus a mais para o transportador e para a sociedade em geral. O preço é incluído no custo do frete, que é incluído no produto. Além disso, o Paraná é um exemplo de que o pedágio não resolve: a tarifa é muito alta pelos benefícios oferecidos?, reclama.

Ele ainda cita um exemplo de desacordo entre a manutenção da rodovia e a tarifa. ?Você vai de Ponta Grossa a Londrina e você vai ver a rodovia que tem, quando deveria ser um tapete?, alerta.

Concessões

A malha rodoviária federal pavimentada representa hoje 57.933 quilômetros. Desses, atualmente, 1.474 quilômetros são administrados por concessionárias. Outros 3.009 quilômetros são de concessões a estados. Após essa segunda etapa, uma terceira etapa fará concessão de outros 6.743 quilômetros, o que fará com que o total de concessões chegue a 14.028 quilômetros de toda a malha.