Hoje é o Dia do Barbeiro. Não é raro encontrar pela cidade senhores que resistem no ofício disputando espaço com salões mais moderninhos. Aos 96 anos de idade, Segismundo Dantas ainda mantém as portas de sua barbearia aberta e pratica a atividade que aprendeu aos 15 anos. Com ela sustentou os cinco filhos.

Segismundo aprendeu o ofício na cidade de Cornélio Procópio, em 1922. Depois veio para Curitiba e trabalhou em salões nas ruas Pedro Ivo e Conselheiro Laurindo. “Naquela época não havia quase prédios. O movimento era grande, a gente não parava o dia inteiro”, lembra. Ele também era considerado o barbeiro da família: atendia pai e filhos. Quando os pequenos cresciam continuavam contando com o serviços dele.

Hoje ele atende no salão montado em sua própria casa, em São José dos Pinhais. Porém o número de clientes diminuiu, boa parte deles são fregueses antigos. “Tenho muita concorrência e tem gente que nem corta mais o cabelo, só dá uma aparadinha”, fala. Mas a história parece seguir o mesmo ritmo, já que muita gente continua levando filhos e netos para o seu salão. “Tenho jeito com criança. Não pode machucar de jeito nenhum, se não eles não voltam”, explica.

O barbeiro ainda guarda objetos que usava antigamente, como a navalha, espanador, aparador de barba manual e o borrifador de talco. Ele nem consegue lembrar quando os comprou. Quando questionado porque ainda mantém as ferramentas guardadas, responde com bom humor: “Para não jogar fora.” Ele ainda usa a navalha em seu ofício, mas isso não quer dizer que abriu mão da modernidade. O aparador manual foi trocado por um elétrico. “É bem mais fácil”, comenta.

Segismundo costumava conversar muito com as pessoas e criou vários laços de amizade. Mas hoje, devido a problemas de audição as conversas na barbearia ficaram mais raras. No entanto, ele continua firme no seu ofício e nem pensa em parar.