Mais de 280 crianças e adolescentes portadores de deficiência em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, aguardam por atendimento na fila de espera das duas unidades da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) existentes na cidade. E o problema, segundo a Comissão de Pais de Portadores de Necessidades Especiais, está aumentando a cada ano.

Para tentar suprir a demanda desses atendimentos, o grupo de pais formado há dois anos solicita, desde o início de 2003, a construção de um centro que atenda às crianças e adolescentes com múltiplas deficiências. No ano passado, a comissão também reuniu quatro mil assinaturas num abaixo-assinado. O documento foi entregue aos governos municipal e estadual, conselho tutelar, conselho de direitos e Ministério Público (MP).

Valduir Machado, da comissão de pais, explica que no último levantamento feito nas unidades da Apae, em 2002, havia 280 crianças sem atendimento. “Hoje a fila de espera está maior. É uma situação problemática, pois muitas pessoas estão à espera do atendimento e não conseguem porque falta espaço nas unidades. A fila de espera cresce cada vez mais e ainda estamos aguardando a construção do centro”, diz Valduir.

Atualmente, 135 crianças e adolescentes excepcionais estudam em classes especiais das escolas públicas municipais, 184 na escola especial Ane Sullivan, para deficientes visuais e auditivos, e outros 150 acordam às 6h para pegar um ônibus e se dirigir a escolas de Curitiba. A filha de 7 anos de Valduir vem até a capital para receber atendimento na Fundação Ecumênica. “É o único jeito de conseguir atendimento. Caso contrário temos que esperar. E o número de vagas nas instituições de Curitiba também não aumenta há dois anos”, completa.

A dona de casa Maria Geni, de 44 anos, mora no bairro Jardim Ana Lúcia, em São José, e ainda não conseguiu vaga para o filho de 7 anos, que nasceu com paralisia. “Ele tem dificuldade para falar e para se mover, e precisa de atendimento. Só conseguiu realizar um tratamento dentário, e a necessidade de um acompanhamento maior em uma instituição é grande”, diz.

Município

A Secretaria Municipal de Educação explica que a construção do centro especial está no orçamento anual da Prefeitura e deve ser realizada o mais rápido possível. O entrave à solução da questão seria encontrar um terreno de 10 mil metros quadrados, onde fosse construído o local de atendimento a múltiplas deficiências. O centro especial atenderia 350 crianças e adolescentes, suprindo a demanda. A assessoria também destacou que os proprietários de terrenos com tamanho ideal para a construção do centro podem entrar em contato com a Prefeitura.