O caso de uma enfermeira que aplicou uma seringa vazia ao invés de uma dose da vacina contra o coronavírus em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, levantou uma dúvida importante. Afinal, aplicar uma vacina com ar pode fazer mal?

Para entender os riscos de uma “dose de vento”, a reportagem da Tribuna conversou com o médico cardiologista Gustavo Lenci, especialista da PUC-PR. “Aplicar ar na veia pode matar, mas uma quantidade grande, suficiente para criar uma bolha”, alertou Lenci. No entanto, como a vacina é intramuscular, as chances de complicações diminuem consideravelmente.

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Não só pelo fato da vacina ser aplicada no músculo, mas a quantidade de ar que cabe na seringa para vacinação também é muito pequena para causar complicações. “O risco que existe é de achar que está protegido, depois contrair a doença e achar que a vacina não funcionou”, alerta o médico.

A aplicação de ar diretamente na veia pode ser fatal. “Imagina que você forma uma bolha no sistema dos vasos sanguíneos. Uma bolha de gás. Isso vai começar a circular pelo corpo e para no pulmão, por exemplo. Aquela parte onde está a bolha para de receber sangue, causando a morte do local”, revela o cardiologista.

O risco pode variar dependendo de onde a bolha de ar for parar. Se for para o pulmão, os sintomas aparecem rapidamente, como dor e dificuldade para respirar. Mesmo sendo grave, a situação pode ser reversível com tratamento adequado.

Checando a imunização

Para garantir que a vacinação foi feita de fato, é preciso ficar atento. “A pessoa tem o direito de pedir para o profissional mostrar a dose e ver o líquido sendo aspirado. Há hospitais que seguem o protocolo de mostrar o frasco, a aspiração do líquido e a aplicação”, alerta o médico.

Gravar todo o processo com o celular pode ser uma forma de garantir que a vacina será aplicada. Caso exista a dúvida da aplicação da vacina dias depois, é possível checar se o imunizante foi aplicado por meio de um teste de anticorpos neutralizantes.

A aplicação falsa de vacina da covid-19 pode ser denunciada na Controladoria-Geral do Estado (CGE). Qualquer cidadão pode fazer a denúncia pelos telefones 0800 041 1113 e (41) 3883-4014, que atende pelo aplicativo WhatsApp. As informações são repassadas para a Secretaria de Estado da Saúde, que atua em parceria com o Ministério Público para coibir irregularidades.