O assassinato de adolescentes não é um problema apenas das capitais. No Paraná, Londrina e Foz do Iguaçu estão registrando altos índices de violência contra os jovens. Dados extra-oficiais mostram que de dezembro do ano passado a julho deste ano quatrocentas pessoas com menos de 21 anos foram mortas em Foz do Iguaçu. O número foi apresentado ontem, em Curitiba, durante audiência pública de representantes de órgãos governamentais e ONGs (organizações não-governamentais) dos dois municípios para debater o problema e buscar soluções.

O secretário municipal da Criança de Foz do Iguaçu, João Pereira Sodré, porém, mostrou outro número em relação ao seu município. Segundo ele, dados obtidos junto ao IML (Instituto Médico-Legal) da cidade mostrariam que dezesseis jovens entre 13 e 17 anos foram vítimas de disparo de arma de fogo este ano e mais dois casos de crianças ? uma delas vítima de espancamento e a outra por arma branca. “Há suspeita que alguns casos estão ligados a atos ilícitos, mas nada comprovado”, diz o secretário, comentndo que 80% das mortes na cidade são de jovens até 25 anos.

Durante o encontro, foi divulgado que haveria uma lista de crianças que estariam juradas de morte por traficantes de Londrina. A promotora da Infância e Juventude da cidade, Edina Maria Silva de Paula, disse desconhecê-la. “A situação é complicada devido ao tráfico de entorpecentes e envolvimento cada vez maior de meninas em atos infracionais, mas não tenho conhecimento dessa lista”, salientou.

Matança

Em Londrina, conforme dados do Instituto de Criminalística, 25 jovens entre 12 e 21 anos foram mortos este ano. A promotora Edina Maria diz que foi convocada para a audiência pela Procuradoria Geral do Ministério Público do Paraná, mas que estava surpresa com os números apresentados. A procuradora do Ministério Público do Trabalho, Margaret Matos de Carvalho, explicou que a intenção da audiência era discutir a violência contra crianças e adolescentes do Estado e não apenas de Londrina e Foz do Iguaçu. “Os dois municípios têm trabalhado para resolver o problema, mas só a política pública do município não consegue resolver tudo sozinha. É preciso o envolvimento da Segurança Pública, que é do Estado”, destacou.

O representante do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, Márcio de Jesus Filla, que também é diretor do Centro Integrado de Atendimento do Adolescente Infrator de Londrina (Ciaadi), diz que não adianta agora ficar tentando descobrir quais são os verdadeiros números, porque o assassinato por tráfico de drogas é fato e o importante é encontrar medidas para que não ocorram mais mortes. “Setenta por cento dos meninos que passam por mim praticam atos infracionais ou estão traficando e usando drogas”, revela. Ele diz que é preciso implementar políticas de atendimento e assistência às crianças e adolescentes. Filla também é contra o regime fechado: para ele, a solução está na liberdade assistida, com prestação de serviços e projetos de lazer e esporte, “para que a juventude esteja preocupada com questões positivas”.