O governo do Estado vem pressionando diretores de escolas a registrar as faltas dos professores durante a greve, para fazer descontos nos salários, acusa a APP-Sindicato. Se os descontos realmente ocorrerem, as aulas perdidas não serão repostas e os alunos vão ser ainda mais prejudicados.

A Secretaria de Educação já trabalha com a certeza de que os danos ao calendário escolar, principalmente para estudantes que estão concluindo o Ensino Médio, serão “irreparáveis”.

Esta será uma das armas dos professores, que hoje à tarde se reunirão com funcionários da educação, no Estádio Durival Britto, na Vila Capanema. A outra é a tentativa de anular na Justiça a aprovação pela Assembleia Legislativa do novo plano de previdência estadual.

A assembleia de hoje vai definir o destino da greve, iniciada na semana passada. Segundo diretores sindicais, é difícil prever o resultado da assembleia.

“Uma parte dos professores quer encerrar a greve, porque o motivo era o desacordo com projeto que muda a previdência, infelizmente aprovado pelos deputados. Outros desejam não desmobilizar o movimento e dar início às negociações salariais”, disse Valquíria Mazeto, secretária educacional da APP-Sindicato. São esperadas caravanas do interior e estima-se que cerca de 10 mil pessoas estejam presentes na assembleia. A primeira chamada será às 14h30 e a segunda às 15h.

Faltas

A primeira greve, encerrada em meados de março, durou 29 dias e a segunda já está em seu oitavo dia. Desde os eventos violentos da semana passada, não houve mais encontros entre governo e representantes dos professores. “Protocolamos um pedido formal de reunião, nem que seja com membros da Secretaria de Educação. Amanhã (hoje), às 11h, vamos participar de um encontro com representantes de todos os servidores do Estado para definir ajustes salariais, mas nada específico sobre os eventos da semana passada”, explicou Valquíria.

Protesto

Antes da assembleia na Vila Capanema, professores do Paraná, trabalhadores ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação e à Central Única dos Trabalhadores farão uma manifestação no Centro Cívico pela manhã. A concentração será às 9h, na Praça 19 de Dezembro (Praça do Homem Nu), e em seguida haverá marcha até a Praça Nossa Senhora de Salete, em frente à Assembleia Legislativa e o Palácio Iguaçu. O objetivo é protestar contra a violenta repressão à manifestação dos professores na última quarta-feira, que terminou com pelo menos 213 pessoas feridas.

Violência

Na tarde desta segunda-feira, a Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) do Paraná culpou supostos black blocs (ativistas adeptos de estratégia anarquista) para justificar guerra durante a manifestação dos professores no Centro Cívico na quarta-feira (29). A tese foi divulgada durante coletiva nesta segunda-feira (4).