Acaba de ser criada a Associação dos Comerciantes e Moradores da Região do Terminal Guadalupe, em Curitiba. A entidade foi fundada com o objetivo de lutar pela restauração e pela permanência do terminal no local onde ele hoje se encontra. Segundo o comerciante Ibrahim Nasri Youssef, que há vinte anos tem uma loja de roupas na rua Pedro Ivo e foi eleito presidente da Associação, existe um projeto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) para transferir o terminal de lugar, com o intuito de desafogar o trânsito no centro da cidade.

"Atualmente passam pelo Guadalupe cerca de 200 mil pessoas por dia. Na região do terminal, estão em atividade cerca de 30 mil empresários, que geram uma média de 150 mil empregos diretos e indiretos", afirma. "Todos estão preocupados, pois o movimento de clientes nas lojas está muito associado ao movimento de passageiros no terminal. Se o Guadalupe sair do local onde está, os estabelecimentos vão ter prejuízo", diz.

A proprietária de duas lojas de presentes de R$ 1,99, uma na rua Pedro Ivo e outra na João Negrão, Veridiana da Silva, se diz bastante temerosa. Ela conta que tem dez funcionários nos dois estabelecimentos e todos estão muito apreensivos, com medo de perderem seus empregos.

"Uma prova de que as vendas estão ligadas ao movimento do terminal é que, nos sábados, quando menos gente pega ônibus para ir trabalhar ou estudar, nossas vendas caem. Se o Guadalupe for desativado teremos que fechar as portas e, conseqüentemente, demitir muita gente."

Quem possui imóveis na região também suspeita que eles possam se desvalorizar. O comerciante de roupas e calçados Gaze Hajar é dono de um espaço de 240 metros quadrados na Pedro Ivo. Ele calcula que, atualmente, o imóvel valha cerca de R$ 300 mil. "Comprei o lugar em 1984 e imagino que, com a transferência do Guadalupe, ele passe a valer menos da metade."

Ippuc

O Ippuc informa, através de sua assessoria de imprensa, que a idéia de transferir o terminal do lugar existe, mas que ainda não há nada definido, nem quanto à data da transferência nem quanto ao novo local onde o Guadalupe seria instalado. De acordo com a entidade, nada será feito sem que antes a população seja ouvida.