Associações que apóiam pessoas portadoras da doença celíaca realizam hoje em Curitiba uma passeata para divulgar o seu trabalho. Segundo a presidente da Associação de Celíacos do Paraná (Acelpar), Rosa Valente, existe muita desinformação sobre o assunto e muita gente sofre com os sintomas, mas não sabe que tem a doença.

As pessoas com a doença não toleram a ingestão de glúten presente no trigo, aveia, cevada e centeio. A ingestão permanente provoca lesões no intestino delgado que podem até evoluir para o câncer. Além disso, prejudica a absorção dos nutrientes e desencadeia ou mantém os sintomas da doença. Entre eles diarréia, anemia, vômitos, irritabilidade, anorexia, baixa estatura, dor abdominal, constipação intestinal, entre outros. As pessoas que têm a doença podem tanto apresentar apenas um ou mais desses problemas.

Rosa explica que há muita desinformação na sociedade e até médicos têm dificuldades para detectar o problema. Ela mesma só descobriu que tinha aos 46 anos e todo esse tempo sofreu com a doença. Ela comenta que teve que mudar todo o cardápio da família, já que a doença é genética e o filho, a irmã e a sobrinha também têm. “Mas quero deixar bem claro que a pessoa cilíaca é feliz. A única coisa é que tem que preparar seu próprio alimento, substituindo ingredientes”, frisa. Afirma também que agora leva uma vida mais saudável. Nas associações, trocam receitas sobre alimentos.

As crianças e adolescentes são os que mais sofrem. Na escola não resistem e acabam comendo os lanches da cantina. Nelzi de Fátima Batista Guimarães, presidente da Associação dos Celíacos do Brasil no Paraná (Acelbra), é mãe de uma adolescente de 14 anos. Descobriu que a menina tinha a patologia quando ela tinha 1 ano e meio, depois de percorrer diversos médicos. A adaptação no início foi difícil, mas hoje pelo menos em casa ela cumpre a dieta. Elizabeth Valente também é mãe de um adolescente. Ele descobriu o problema há dois anos e hoje consegue cumprir 50% da dieta. “As vezes ele se revolta com a situação, pois precisa se privar do lanche que os colegas comem”, diz.

Na Suécia, uma em cada 250 pessoas têm o problema, já no Chile a proporção é de um para três mil. No Brasil os dados não são conclusivos, mas a Acelbra-Pr tem 170 pessoas cadastradas e a Acelpar mais 350. No entanto, os números devem ser bem maiores, já que muitas pessoas não sabem que têm a doença.

De acordo com Rosa, um dos objetivos da associação é fazer com que os fabricantes de produtos cumpram a lei n.º 8.543/92 que exige a especificação sobre o uso de glúten. Segundo ela, só os grandes fabricantes cumprem a medida.

A caminhada começa às 10h, em frente à catedral de Curitiba, e segue até a Feira da Ordem.