Foto: Chuniti Kawamura/O Estado

Movimento foi intenso na manhã de ontem, nas agências do INSS.

O atendimento no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) voltou ao normal ontem, após 72 horas de paralisação. Vinte e quatro das 52 agências do Estado pararam nos três dias de mobilização. Dos 1.756 servidores do INSS no Paraná, 429 ficaram parados, o que representa 24,43%. Estima-se que os três dias de paralisação formaram uma demanda reprimida de 10 mil pessoas em Curitiba e Região Metropolitana.

Apesar dos prejuízos no atendimento, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência e Ação Social do Estado (Sindiprevs-PR), Nelson Malinovski, avalia como positiva a paralisação. Na segunda-feira uma reunião entre representantes sindicais e governo, em Brasília, deve chegar a um acordo para aprovação imediata da principal reivindicação dos servidores, o plano de carreira.

Ontem pela manhã, na agência XV de Novembro, no centro de Curitiba, o movimento foi um pouco acima do normal, mas dentro do esperado, segundo Alvirmar Costa, chefe da agência. Houve formação de fila no lado de fora antes do início do atendimento. Em média, são atendidas 800 pessoas por dia e a expectativa era fechar mil pessoas no primeiro dia de funcionamento após a paralisação. "Também está acima do normal porque é início de mês. Mas o movimento está sob controle", afirma. A intenção é normalizar o atendimento em uma semana. Ele explica que a população não foi tão prejudicada com a paralisação porque as perícias médicas agendadas previamente continuaram acontecendo. Os prazos de processos e atendimentos que expiraram durante a paralisação serão reconsiderados, de acordo com Costa.

Já na agência da Vila Hauer, o retorno ao trabalho foi tumultuado. Na tarde de ontem, o atraso por conta dos dias parados somado a problemas no sistema de informática deixou a população nervosa com a demora no atendimento. Por conta do tumulto, Malinovski disse ter recebido uma ligação de um dos funcionários pedindo a continuação da greve. "O funcionário queria trabalhar e o equipamento não permitia. Não é só de hoje, a Dataprev – que atua na tecnologia do sistema – tem fornecedores sem receber e os equipamentos estão sucateados", reclamava o presidente do sindicato, que pediu calma aos funcionários da Vila Hauer. De acordo com o sindicalista, os pedidos de melhorias no sistema e aumento no número de funcionários eram também destaque da pauta de reivindicações colocada ao governo.

Positiva

Apesar do contratempo e de não haver nenhuma sinalização do governo no sentido de atender a esses pedidos, o presidente do Sindiprevs local avalia como positivo o resultado dos dias de paralisação. "O governo estava tratando o plano de carreira com morosidade. Agora temos duas reuniões agendadas, na segunda-feira e na quarta, em Brasília. A pretensão dos grupos de trabalho é finalizar a proposta conjunta até dia 19 e encaminhá-la ao Congresso", adianta. Para o sindicalista, a paralisação "acordou" o governo. "Agora eles estão preocupados em atender os prazos."