A AFH (Associação de Apoio às Famílias com Hanseníase) distribuiu ontem mais uma parte das cestas-básicas montadas com os alimentos doados pelo Atlético Paranaense e que foram arrecadados no amistoso com o Iraty, antes do início do Campeonato Paranaense. A entrada para assistir ao jogo foi um quilo de alimento não perecível e a AFH foi uma das instituições escolhidas para fazer a distribuição, porque tem desenvolvido um trabalho muito relevante no atendimento a pessoas carentes e também pelas dificuldades que a instituição estava enfrentando para conseguir socorrer as quase duzentas famílias cadastradas e mantidas mensalmente.

A entrega ocorreu em frente à sede da entidade, na Vila Hauer, em Curitiba. Estiveram presentes quase sessenta famílias, que fazem parte de uma das comunidades atendidas pela AFH. Além de uma cesta-básica, a instituição fez o recadastramento das famílias e deu um conforto moral e espiritual, através de culto ecumênico que foi comandado pela voluntária Arlete Campos e alguns dos doentes receberam ainda remédios complementares ao tratamento da hanseníase (lepra). Portadores de outras doenças como o câncer e aids também são atendidos pela AFH.

Apesar de a doença ser curável e de o tratamento eliminar o risco de transmissão em duas semanas, os doentes sofrem uma exclusão social violenta, disse a paciente Maria da Luz, atendida pela entidade. “Trabalho para nós já é uma dificuldade arranjar e sem serviço a gente passa falta de alimento em casa”, conta. “Uma cesta básica pra nós é uma ajuda muito grande. Ainda os outros remédios complementares como pomadas e medicamentos para dor não doados pelo governo, são muito caros pra comprar e tem gente que não tem dinheiro nem pra ir buscar quando é doado.”

Segundo ela, muitos leprosos são despejados por não conseguir pagar aluguel, além de enfrentar o estigma da doença. “Até os parentes têm medo do contágio”, lamenta. “É muito triste: a gente sabe que tem cura, está se curando, mas mesmo assim somos é rejeitado.”

Segundo Paulo Roberto da Silva, que ajuda sua mulher, Vanice, a coordenadora geral da AFH, explica que muitos pacientes, além de comida, precisam de conforto espiritual. “Há ainda os que sentem a necessidade de fraldas geriátricas, material de limpeza e de primeiros socorros para tratar de algumas feridas e assim vai”, lembra. “Para nós é praticamente impossível atender a tudo, mas a gente faz aquilo que o coração manda e pode.”

Serviço ? A AFH fica na Rua João Soares Barcellos 3347. Telefone: (41) 276-0517. Site:

www.afhsolidariedade.hpg.com.br.

Cura não elimina seqüelas

A hanseníase ou lepra é uma doença infecciosa e crônica causada pelo bacilo de Hansen (Mycobacterium leprae). Foi descrita pela primeira vez em 1874 pelo médico norueguês Gerhard Armauer Hansen (1811-1912).

Há necessidade de se identificar e tratar a hanseníase logo no início, pois apesar de ser uma doença curável, deixa seqüelas que podem levar à incapacidade.

A lepra pode ser transmitida pelas vias aéreas (espirros, tosse, fala, respiração – pelo contato íntimo e prolongado), pelo contato com feridas abertas, como cortes e rachaduras da pele, e até pelo leite materno. A maioria das pessoas tem resistência natural ao bacilo.

O paciente deixa de ser fonte de infecção duas semanas após o início do tratamento com medicamentos que matam as bactérias. Nem todos os tipos de hanseníase são contagiosas.

Sintomas

O Mycobacterium leprae se multiplica de maneira lenta e afeta principalmente a pele (como braços e pernas), nervos e músculos. Com o avanço da doença os nervos ficam danificados e podem impedir os movimentos dos membros, como fechar as mãos e andar.

São sinais de hanseníase: manchas esbranquiçadas ou avermelhadas; dor nos nervos dos braços, pernas e pés; perda de pêlos no local afetado; surgimento de caroços, nódulos ou inchaço; dormência e enfraquecimento das mãos e dos pés; diminuição do suor; lesão(ões) de pele com alteração de sensibilidade.

O tratamento depende do tipo de hanseníase, variando entre seis meses e dois anos. Os medicamentos devem ser distribuídos pela rede pública de saúde.

As medidas para a prevenção são simples: cuidados de higiene; evitar a promiscuidade; evitar ambientes pequenos, fechados (sem sol, sem circulação de ar puro) e mal cuidados (se a pessoa tiver baixa imunidade). Quem mantem contato com os doentes, particularmente os que convivem no mesmo domicílio, deve ser submetidos a exame para detecção eventual da doença e receber orientações por pessoas preparadas.

A hanseníase é expressiva nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. O Brasil ocupa o segundo lugar mundial em número absoluto de casos, superado apenas pela Índia.