O grande número de locais de pesque-pague no Estado está ajudando no aumento do consumo per capita de peixe dos paranaenses, segundo a Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Cada pessoa consome, em média, 5 quilos ao ano, índice superior ao que era registrado nos anos anteriores – 3,8 quilos -, mas ainda abaixo dos 7 quilos da média nacional. Somente na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) são 130 pesque-pague.

Das 600 toneladas de peixe produzidas na RMC, metade é vendida para os pesque-pague, informa o engenheiro de pesca da Emater em Curitiba, Luiz de Souza Viana. “Eles pagam melhor que as peixarias e supermercados”, afirma. De acordo com ele, as pessoas que freqüentam esses locais não se contentam em pescar apenas um peixe. Elas acabam levando muitos quilos para casa, o que gera um crescimento no consumo. “Os pesque-pague estão auxiliando muito o desenvolvimento da piscicultura paranaense. Alguns chegam a receber mil pessoas no final de semana”, aponta Viana. 15% do total produzido vai para as indústrias e o restante é destinado ao consumo próprio.

Viana acredita que o consumo baixo da população está ligado ao hábito de comer peixe somente na Semana Santa e esquecer da carne branca nas outras épocas do ano. “Alguns podem achar caro, mas o principal motivo não é esse”, opina o engenheiro. Segundo ele, a piscicultura ainda é uma técnica com custos de produção consideráveis, especialmente com a ração dos peixes. A comida custa R$ 1 por quilo, mas cada animal precisa consumir entre 1,5 e 2 quilos de ração, em média. “O quilo do peixe já sai do produtor custando pelo menos R$ 2. O custo da ração influencia 70% do valor praticado no mercado. Com o transporte e intermediários, o preço sobe”, explica. “A tilápia, por exemplo, custa cerca de R$ 5 o quilo, já limpa. Em filé, o preço sobe ainda mais, ficando entre R$ 10 e 12. Lógico que um pescado importado vai custar bem mais que isso”.

Semana do Peixe

Nesta semana, os preços dos peixes estão 30% mais baratos nos supermercados. O governo federal, por meio da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República, está promovendo a 2.ª Semana Nacional do Peixe em parceria com a Associação Brasileira de Supermercados. “Ações como essa ajudam no aumento do consumo per capita. Deveria acontecer mais vezes”, diz Viana. Além dos preços mais baixos, estão sendo distribuídos materiais informativos com dicas sobre a importância do consumo de pescados e como adquirir peixes e frutos do mar com qualidade.