O número de jovens que procuram pelo seminário nas paróquias de Curitiba está aumentando a cada ano. De acordo com o padre João Maria Stech, vice-reitor do Seminário Rainha dos Apóstoles, desde 2000 ocorreu um aumento de 40% no número de jovens que ingressaram no sacerdócio. Apesar desse crescimento, porém, o padre ressalta que o número ainda é pequeno para uma população que tende a aumentar rapidamente.

“Não dá para atender todo mundo. Hoje, em Curitiba, existe 1 padre para seis mil habitantes. É um número muito pequeno. Estamos felizes por estarmos trabalhando com mais jovens, mas nem todos sairão do seminário ordenados padres”, diz. O processo para quem escolhe seguir no seminário é rígido e exige muita disciplina. Mesmo apresentando aptidão para se tornar padre, algumas etapas têm que ser ultrapassadas. Depois de realizar o teste vocacional, o jovem terá um acompanhamento nas paróquias durante um ano de trabalho intelectual, análise de convívio com a comunidade, trabalho psicológico e sentimental.

Após essa fase, os jovens passam para os estudos de formação completa, com quatro anos de filosofia e quatro anos de teologia. A última etapa desse processo é uma avaliação que será realizada junto à comunidade. Questionários são distribuídos para a comunidade e por meio das respostas de cada um, o bispo poderá ou não, após uma avaliação, ordenar o jovem como padre. As pessoas que participam respondendo os questionários não tem os nomes identificados.

“Apesar da rigidez de todo o processo, os jovens estão aparecendo. Alguns irão desistir, mas o que importa é que o interesse por isso têm crescido. Ninguém é obrigado a permanecer em um seminário. O jovem tem todo o espaço para escolher se quer seguir com esses estudos”, observa.

Segundo o padre, tudo depende de uma opção. Para ele, os jovens sofrem para abrir mão de algumas regalias, e a família é o ponto onde eles encontram apoio. “Antigamente os jovens não tinham contato com a família. Hoje, é totalmente diferente. Nos finais de semana, os jovens podem visitar os pais e isso é essencial para se formar um padre, ainda mais quando não se pode namorar nem sair com os amigos à noite”, diz.

Nas próximas duas semanas, três novos padres diocesanos irão se ordenar em Curitiba. Roberto Nentwig, de 25 anos, Alexsander Cordeiro Lopes, de 26 anos e Jonacir Francisco Alessi, de 27 anos, do Seminário Rainha dos Apóstolos. Em março, mais quatro jovens serão ordenados.