Enquanto os bancos comerciais fecham agências e priorizam serviços digitais e atendimento online, é no olho no olho que as cooperativas de crédito apostam para crescer. Elas valorizam a presença e mantêm equipes atendendo seus cooperados em 1.120 postos em 364 municípios do Paraná, ou seja, em 91% do estado.

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Estar fisicamente presente naqueles municípios mais distantes, com poucos habitantes, é um diferencial. O estudo “Benefícios do cooperativismo de crédito: impacto sobre a bancarização”, conduzido por Juliano Assunção, do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), divulgado em 2020, constatou que agências de cooperativas tendem a atender locais menos populosos, mais rurais e mais isolados do que aqueles atendidos por agências bancárias. São áreas onde pessoas vulneráveis têm grande dificuldade de acesso a serviços bancários.

O mesmo estudo concluiu que agências bancárias costumam se instalar em municípios com mais de 8 mil habitantes, na média nacional, e naqueles com mais de 4.500 habitantes, na região Sul. Já as cooperativas de crédito, no Sul do país, onde são mais representativas, estão presentes em municípios a partir de 2.300 habitantes.

Custo operacional e taxas menores

Uma cooperativa de crédito funciona como um banco, oferece todos os serviços, da mesma forma, com algumas diferenças importantes: o custo operacional é menor e as taxas de juros também podem ser um pouco mais baixas do que o normal do mercado. A principal diferença é que o lucro, que num banco comercial vai para os acionistas, na cooperativa é dividido entre os cooperados, que são os donos.

“Por ser uma cooperativa, não podemos ter lucro. Temos sobras que são rateadas”, informa Manfred Dasenbrock, presidente da Central Sicredi (Sistema de Crédito Cooperativo) PR/SP/RJ. Ele explica que quando se atinge o lucro, esse resultado em parte é retido como reserva para a cooperativa e outra parte é distribuída entre os cooperados, proporcionalmente à movimentação financeira de cada um na instituição.

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E é tudo de forma democrática e participativa. É em assembleia, por voto, que os cooperados decidem quanto será rateado e quanto será revertido para investimentos e reserva da organização.

O Sicredi é a primeira instituição financeira cooperativa do Brasil. Está presente fisicamente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, com mais de 2,2 mil agências, sendo a única instituição financeira em mais de 200 municípios brasileiros. Tem 108 cooperativas de crédito filiadas em todo o Brasil.

Primeira instituição financeira cooperativa do Brasil, Sicredi cresce no interior. Foto: Divulgação/Sicredi

De acordo com dados de 2021 do Sistema Organização das Cooperativas de Crédito do Paraná (Ocepar), o estado tem 54 cooperativas de crédito no total, com 2,5 milhões de cooperados. Juntas, essas cooperativas tiveram uma sobra de R$ 1,343 bilhão.

Manfred Dasenbrock conta que a origem do Sicredi é o meio rural. “Até 2005, atendemos só os produtores rurais; a partir daí abrimos para todos”, diz. Segundo ele, os agricultores continuaram sendo maioria por um tempo, mas hoje isso já se inverteu. “Há municípios onde o rural representa 40%, 30% ou até 20% do total”, apresenta.

Bancos encolhem, cooperativas de crédito crescem

De acordo com dados do Banco Central, mais de 4 mil agências bancárias fecharam em todo o Brasil entre março de 2017 e março de 2022. Fazendo o caminho inverso, as cooperativas expandiram seus postos de atendimento. Somente no estado do Paraná, o Sicredi inaugurou 13 agências em 2021, 8 em 2022 (até final de maio), devendo inaugurar mais duas até o fim do ano.

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O segredo da expansão, mesmo em meio a adversidades, está na essência do cooperativismo: a cooperação. “Uma ajuda a outra e dá o suporte até sua viabilização e sustentação, como acontece quando instalamos um posto de atendimento num município pequeno e distante”, explica Manfred Dasenbrock. Além disso, a vida financeira dos cooperados é muito levada em conta e as cooperativas buscam as soluções mais adequadas, além de orientar as pessoas sobre aplicações e sobre o uso adequado e consciente do crédito, por exemplo.

Essa parceria com o cooperado faz muita diferença, especialmente em momentos de crise. Os últimos anos de pandemia da covid-19 comprovaram isso. “Foi um período em que crescemos muito. Sempre crescemos de forma robusta na crise e dessa vez não foi diferente. Nossos valores foram testados e comprovados durante a pandemia”, avalia Dasenbrock. “Isso acontece porque para nós o relacionamento está na frente dos negócios”, acrescenta.

Com 14 mil habitantes, Ventania só conta com a cooperativa

Posto de atendimento do Sicredi no pequeno município de Ventania. Foto: Divulgação/Sicredi

O município de Ventania, na região dos Campos Gerais do Paraná, só conta com a cooperativa como instituição financeira. “O Sicredi chegou aqui em 2001. Antes disso, as pessoas tinham que ir a Tibagi, a cerca de 35 quilômetros de distância, quando precisavam de um banco”, diz o prefeito José Luiz Bittencourt (PL).

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“Imagine um aposentado, que já ganha pouco, ter que gastar com táxi para ir retirar o seu benefício”, pontua. O distrito de Novo Barro Preto, distante 14 quilômetros da sede do município e com 4 mil habitantes, também conta com um posto de atendimento do Sicredi desde 2014.

“Foi uma transformação para nós. Além de atender a nossa população com serviços bancários, trouxe desenvolvimento para nosso município”, diz o prefeito. Segundo ele, “antes as pessoas iam a outros municípios para receber seus pagamentos, já aproveitavam e faziam compras por lá, gastavam lá. Não movimentavam a economia local. Agora o dinheiro fica aqui e aquece o nosso mercado”, observa.

A folha de pagamento da prefeitura é operacionalizada pelo Sicredi. Os 375 servidores recebem pela cooperativa. “É o nosso banco oficial”, diz o prefeito.

“A cooperativa emprega pessoas do município e faz girar nossa economia”, diz cooperado

Arnaldo Ramos mora em Ventania, onde tem um supermercado e uma loja de material de construção. É cooperado do Sicredi como pessoa física e pessoa jurídica. “É a única instituição financeira que nos apoia aqui”, afirma. Ele foi um dos que participou da mobilização para levar a cooperativa para a cidade. “Tínhamos que viajar até 50 quilômetros para chegar a Piraí do Sul ou Tibagi para usar um banco”, lembra, contando que foi um dos primeiros associados, o de número 14 no posto de atendimento.

“Hoje, na era digital, eu poderia ser atendido por qualquer banco, mas não tem lógica eu buscar uma instituição de grande porte sendo que temos aqui o Sicredi que nos atende plenamente, resolve os nossos problemas, emprega pessoas do município e movimenta nossa economia”, analisa.

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Ramos diz que a distribuição das sobras é sempre aguardada com expectativa pelos cooperados. “Normalmente uma parte vai para minha conta corrente e outra parte para a conta capital, uma espécie de poupança que fica depositada na cooperativa para sacar em situações de emergência ou na aposentadoria”, explica.

Para ele, o que mais atrai as pessoas, especialmente de municípios pequenos, para a cooperativa de crédito, em comparação aos bancos comerciais, é exatamente essa visão para o interior. “A cooperativa não se preocupa em estar na melhor praça, que possa garantir o melhor resultado financeiro, mas onde as pessoas precisam dela”.

“Fazemos todos os serviços bancários e ainda temos participação no resultado”, diz cooperada

O pequeno município de São José das Palmeiras, no Oeste do Paraná, tem apenas 3.800 habitantes e conta com um posto e atendimento do Sicredi. Fernanda Caroline de Oliveira Sestak, que tem uma empresa de serviços de informática e uma provedora de internet, é uma das cooperadas. “Se não tivesse a cooperativa aqui, muitas coisas eu teria que fazer fora do município”, observa. Ela teria que recorrer a Toledo ou a Santa Helena, ambas a cerca de 40 quilômetros de distância de onde ela mora e trabalha.

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Fernanda conta que foi por meio de linha de crédito da cooperativa que comprou o imóvel para instalar a sede a empresa, bem como os veículos usados no trabalho. “Na cooperativa a gente tem todos os serviços financeiros e no final ainda temos participação nos resultados”, comemora.

Desenvolvimento sustentável e impacto social

Atividade do programa União faz a Vida. Foto: Divulgação/Sicredi

O cooperativismo de crédito desempenha também um papel social relevante. O Sicredi integra o Pacto Global desde 2020. Uma das principais iniciativas é o programa A União Faz a Vida. Há mais de duas décadas, propõe a utilização de pedagogias ativas e uma metodologia de projetos para a educação integral de crianças e adolescentes.

É realizado em mais de 1,2 mil escolas de mais de 200 municípios (dados de dezembro de 2021) da área de atuação da Central Sicredi PR/SP/RJ, impactando cerca de 189 mil alunos e contando com a parceria de mais de 14 mil professores.

Há também ações voltadas à educação financeira de crianças, jovens e adultos, oferecidas com as oficinas do projeto Cooperação na Ponta do Lápis. Além disso, o Sicredi desenvolveu, em parceria com a Mauricio de Sousa Produções, revistas em quadrinhos e desenhos animados da Turma da Mônica sobre educação financeira. Material disponível para as oficinas, nas agências do Sicredi e também do Youtube da instituição financeira cooperativa. Há também trabalhos voltados à equidade de gênero, inclusão social e meio ambiente.

Uma das iniciativas mais emblemáticas de responsabilidade social do cooperativismo é o Dia de Cooperar (Dia C), realizado anualmente com ações voluntárias em prol da sociedade, envolvendo todo o sistema cooperativista, com participação ativa das cooperativas de crédito.

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