Nova modalidade de golpe está preocupando instituições que geram boletos para pagamento pela internet. O Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber) já registrou cinco casos em que o dinheiro era desviado para contas criadas por golpistas por meio da alteração no momento da geração do boleto em meio virtual.

Apesar de considerar o boleto bancário um meio seguro de efetuar pagamento, especialmente nas cobranças registradas, a Federação Brasileira de Bancos (Fenaban) calcula que somente no ano passado os bancos tiveram prejuízo de R$ 1,4 bilhão com fraudes bancárias realizadas por meio eletrônico. Em uma grande universidade de Curitiba, por exemplo, o rombo passou dos R$ 300 mil, depois que o pagamento de matrículas e mensalidades foi desviado e não registrado pela instituição. A situação foi encaminhada ao Nuciber, que pediu à Justiça o bloqueio da conta e a devolução dos valores pagos pelos alunos prejudicados. “Os golpistas acessam o banco de dados da instituição e mudam a linha digitável (para o pagamento do boleto)”, afirma o delegado-chefe do Nuciber, Demétrius Gonzaga de Oliveira.

Complicado

O delegado afirma que o usuário deve estar atento sobre o pagamento da conta, mas o procedimento para verificar a autenticidade dos boletos é complicado e exige conhecimento sobre o código identificador de cada banco, que aparece no boleto, além do posicionamento do código do cedente, que é a identificação do cliente no banco e considerado um dos dados mais importantes do documento. “O ideal seria fazer a conferência antes de pagar qualquer conta, mas para isso precisa conhecer todos os códigos, o que é difícil”, avalia.

A ausência da quitação da dívida pode representar que o cliente foi vítima do golpe, por isso é importante guardar toda documentação referente ao pagamento (boleto, informações sobre o site e e-mails), além de registrar imediatamente boletim de ocorrência, para que a investigação seja iniciada.