Quem atravessa a Baía de Guaratuba com o ferryboat vê aquela imensidão, mas não tem ideia das riquezas que estão embaixo d’água, ao seu redor e no céu. A baía abriga diversas espécies de animais, como peixes, aves e crustáceos. Só que a área também sofre com a poluição.

No intuito de intensificar a educação ambiental e a preservação da Baía de Guaratuba, o Instituto Guaju desenvolveu o projeto Barco Escola, com apoio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Todos os dias, gratuitamente, acontecem passeios de barco pela baía que reforçam a necessidade de cuidar desse patrimônio natural.

O Barco Escola sai da Praia das Caieiras com um grupo de até 16 pessoas. Podem participar crianças, adultos e idosos. O passeio conta com guias, todos da própria região. São pescadores, gente que já deixou a profissão e seus filhos. A experiência que eles têm sobre a baía é repassada para quem está conhecendo mais profundamente agora.

Assim que todos se acomodam no barco, vem a pergunta direcionada ao público: “O que você tem feito pelo planeta?”. Segundo Fabiano Cecilio da Silva, diretor do Instituto Guaju e coordenador do projeto, a intenção é provocar uma reflexão.

“Esse não é um passeio turístico. Queremos levar à reflexão e provocar uma mudança de hábito. A maioria das espécies marinhas passa uma parte de suas vidas na baía”, afirma.

No passeio, os guias apresentam os “habitantes” da Baía de Guaratuba. Lá vivem os moluscos (sururu, ostras e ostra do mangue, por exemplo), crustáceos (camarão, siri, caranguejo uça, caranguejo chama maré), aves (guará, garça, biguá, socó) e peixes (robalo peva, robalo flecha, parati, peixe-espada, cavalo marinho).

Os guias também explicam sobre os mangues e lembram que a área é o berçário de muitas espécies. Um dos pontos altos do Barco Escola é a parada no Sítio Sambaqui, na região de Cabaraquara. Os visitantes têm a oportunidade de ver bem de perto um mangue e os caranguejos.

Alguns ainda são tão pequenos que precisam ser observados com uma proximidade ainda maior. A diversão – e o aprendizado – é visualizar os caranguejos em tocas ou se mexendo no meio da lama. A caminhada entre o mangue ocorre em um sambaqui, feito com restos de ostras cultivadas na região.

Muitas pessoas que moram no litoral não conhecem um mangue e não sabem da importância dele para a preservação das espécies. Claudineia Souza de Oliveira, que mora há 12 anos na Praia das Caieiras, nunca tinha visto um mangue de perto. Ela fez o passeio com os quatro filhos na semana passada e adorou participar do projeto Barco Escola.

“É uma lição para eles e para mim também”, considerou. Na parada no Sítio Sambaqui, ainda é possível observar parte da Mata Atlântica e alguns exemplares importantes da floresta, como o palmito e a bromélia.

O Barco Escola também passa bem perto das fazendas de ostras que estão na Baía de Guaratuba. Os guias mostram as lanternas que ficam embaixo da água e onde são deixadas as sementes, que demoram mais de um ano para atingir o tamanho necessário para comercialização. O barco possui um pequeno aquário com espécies marinhas. Durante todo o passeio, os visitantes recebem informações sobre a cultura caiçara.

O projeto Barco Escola fica na Praia das Caieiras até o dia 2 de março. A embarcação sai diariamente às 9h30, 11h30, 14h30 e 16h30, com uma hora e meia de duração. A inscrição deve ser realizada na barraca do Instituto Guaju na praia.