Na falta de treinamento contínuo e sistematizado, batalhões da Polícia Militar tentam, à sua maneira, melhorar a qualidade do trabalho de suas equipes. Há um mês e meio, antes da morte de Rafaeli Lima dos Santos, 21 anos, por erro policial, o comandante do 12.º Batalhão da PM, coronel Carlos Alberto Bührer Moreira, criou uma forma de amenizar o problema.

Há dois meses no comando do 12.º BPM, responsável pelo policiamento em 28 bairros de Curitiba, incluindo a região central, o coronel Bührer resolveu mudar essa realidade.

O primeiro passo foi criar uma nova escala de trabalho que possibilitou a liberação dos PMs para instruções semanais. “Dividi o efetivo e criei uma equipe de apoio, que substitui os policiais durante as instruções”, contou o coronel.

Exercício

As instruções são feitas todos os dias das 8h às 9h40, com cada equipe, respeitando a escala de trabalho dos policiais. A instrução é dividida em duas partes. A primeira pode ser teórica, como palestras sobre combate ao tráfico, ou prática, como técnicas de abordagem.

A segunda parte é de exercícios físicos. “Muitos estavam fora de forma e, com os exercícios começaram a perceber suas limitações. Além disso é uma forma de amenizar o estresse”, disse o coronel.

Na iniciativa do coronel não estão incluídas instruções de tiros, uma vez que esta prática segue programação específica. Em média, os PM dão, ao longo do ano, 50 tiros em treinamentos, que podem ser em um único dia.

A alternativa encontrada pelo coronel foi levar os policiais do seu batalhão para um campo de paintball, com balas de tinta. “Os policiais vivem a situação de adrenalina, treinam posicionamento e concentração. Não é o mesmo que atirar de verdade, mas a situação é semelhante”, finalizou o coronel.