O ex-governador Beto Richa (PSDB) é alvo, nesta sexta-feira (25), de um mandado de prisão preventiva. De acordo com a Justiça Federal, o tucano foi preso em casa, em Curitiba, por volta das 7h. O contador Dirceu Pupo Ferreira, homem de confiança de negócios imobiliários da família de Richa, também teve mandado de prisão expedido. Ambos estão presos na Superintendência da Polícia Federal.

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A prisão de Beto Richa foi solicitada pelo Ministério Público Federal (MPF), no âmbito da Operação Integração, que é um desdobramento da Operação Lava Jato. A operação investiga um esquema de corrupção envolvendo a concessão de rodovias no Paraná. Segundo as investigações, o ex-governador Beto Richa foi beneficiário de pelo menos R$ 2,7 milhões em propinas pagas em espécie pelas concessionárias de pedágio do Paraná e por outras empresas que mantinham interesses no governo.

O pedido de prisão de Beto Richa

De acordo com o pedido do MPF, Nelson Leal Júnior, ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), detalhou a participação do ex-governador no esquema de corrupção investigado na Integração. Leal Júnior firmou acordo de delação premiada com o MPF, o qual já foi homologado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Segundo a apuração, as concessionárias teriam sido beneficiadas com aditivos contratuais e omissão da fiscalização, em troca de pagamento de propina. O dinheiro, de acordo com o MPF, serviu para enriquecimento pessoal dos investigados.

Ainda segundo o pedido feito à Justiça, três imóveis teriam sido adquiridos para lavar a propina recebida por Beto Richa. Ferreira, de acordo com o MPF, era o operador responsável por realizar as transações, recebendo “vultuosas quantias em dinheiro”. Os imóveis estão no nome da empresa Ocaporã Administradora de Bens, que formalmente pertence a ex-primeira-dama Fernanda Richa e a dois filhos do casal, Marcello e André Richa.

O ex-governador Beto Richa e o contador Dirceu Pupo Ferreira estão presos na sede da Polícia Federal, em Curitiba. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.
O ex-governador Beto Richa e o contador Dirceu Pupo Ferreira estão presos na sede da Polícia Federal, em Curitiba. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

As aquisições

Em 2010: Apartamento em Balneário Camboriu adquirido pelo valor declarado de R$ 300 mil, que foi pago integralmente em espécie por Ferreira ao vendedor de forma parcelada durante o ano de 2011. O laudo de avaliação do apartamento demonstrou que o imóvel valia na época R$ 700 mil O vendedor reconheceu o recebimento de R$ 300 mil adicionais “por fora”, em espécie.

Em 2012: Aquisição de um terreno de luxo no bairro Santa Felicidade, em Curitiba. O valor real de venda era de R$ 1.930 milhão. Na escritura, a aquisição foi declarada por R$ 500 mil, correspondentes a uma suposta permuta com dois lotes em Alphaville. O vendedor reconheceu que, além dos lotes dados como parte do pagamento, Ferreira entregou R$ 930.000,00 em espécie, que foram ocultados nos documentos da transação. Posteriormente, o mesmo imóvel foi vendido pela empresa da família Richa por R$ 3,2 milhões.

Em 2013: Aquisição de conjuntos comerciais no Edifício Neo Business em Curitiba, com valor declarado de R$ 1,8 milhão na escritura pública, mas que, segundo o corretor que intermediou o negócio, contou com o pagamento de R$ 1,4 milhões adicionais “por fora”, que foram ocultados.

Beto Richa preso em 2018

Em setembro, o ex-governador já havia sido preso, mas no âmbito da Operação Rádio Patrulha , do Ministério Público Estadual. Nesse caso, os fatos investigados se referem a possíveis fraudes no programa Patrulha do Campo, destinado à conservação de estradas rurais do estado.

 

Obstrução de investigação

Segundo o Ministério Público Federal, a prisão de Beto Richa foi imprescindível em razão da recente tentativa comprovada de obstrução das investigações pelos envolvidos. A apuração demonstrou que, em agosto de 2018, a fim de impedir que o esquema fosse descoberto, Dirceu Pupo Ferreira, agindo a mando de Beto Richa, procurou um dos corretores de imóveis que intermediou a negociação das salas comerciais e solicitou que, caso fosse intimado a depor pela investigação, ocultasse a existência de pagamentos em espécie por fora.

Não satisfeito, de acordo com o relato do vendedor das salas comerciais, Ferreira, sempre agindo como preposto do ex-governador, ainda tentou contato para influenciar seu depoimento, a fim de solicitar que o pagamento em espécie fosse ocultado.

De acordo com o juiz federal Paulo Sergio Ribeiro, “o fato concreto apresentado pelo MPF é extremamente grave, evidenciando a tentativa de embaraçar a investigação, o que justifica a decretação da preventiva”.

O ato foi praticado para impedir a descoberta do esquema de lavagem de dinheiro, interferindo na produção da prova. “A influência no depoimento de possíveis testemunhas é fundamento clássico para a prisão preventiva para garantia da instrução criminal”, afirma o procurador da República Diogo Castor.

O outro lado!

A reportagem entrou em contato com a defesa do ex-governador, que confirmou o pedido de prisão. A advogada do tucano, entretanto, não deu mais detalhes sobre a decisão nem apresentou um posicionamento da defesa.

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