Por enquanto, os agentes estão apenas orientando.

A partir de julho o ciclista que utilizar as canaletas de ônibus na capital poderá ter a bicicleta recolhida e ser multado. “Por enquanto estamos fazendo o trabalho educativo. As pessoas vão encontrar cartazes pelas ruas da cidade para que comecem a mudar o seu comportamento. Mas quem insistir em trafegar na canaleta poderá ter a bicicleta apreendida e ser multado”, disse a coordenadora do Núcleo de Educação e Cidadania da Diretran, Maura Barbosa.

Os agentes municipais de trânsito e educadores do Núcleo de Educação e Cidadania da Diretran continuam fiscalizando os 70 quilômetros de canaleta do ônibus expresso em Curitiba e orientando os ciclistas sobre os riscos de acidentes. A Campanha do Ciclista começou em 6 de maio. Cerca de 16 mil ciclistas já foram abordados até agora.

O objetivo da campanha é conscientizar quem utiliza a bicicleta como meio de transporte e motoristas que devem dividir o espaço existente nas ruas com quem pedala. Além das canaletas do transporte coletivo, a campanha está sendo realizada também nas praças e calçadões da cidade.

Infração média

Pelo Código de Trânsito Brasileiro conduzir bicicletas em passeios onde não seja permitida a circulação, ou conduzir de forma agressiva, em local que não seja autorizado e que esteja devidamente sinalizado é infração média. O condutor estará sujeito a multa de R$ 85,13 e poderá ter a bicicleta apreendida. Dois decretos municipais, de 1993 e de 1995, proíbem a utilização indevida das canaletas por outros veículos que não sejam ônibus e permite a sua remoção.

Também de acordo com o código, a circulação de bicicletas nas vias urbanas deve ocorrer nos bordos da pista de rolamento no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, quando não houver ciclovia. A lei diz ainda que as bicicletas têm preferência sobre os veículos automotores.

A Diretran instalou 472 placas de proibido andar de bicicleta nas canaletas dos cinco corredores de ônibus expresso na cidade (Boqueirão, Norte Sul, Leste e Oeste), nos calçadões para pedestres como a Rua XV de Novembro, a R ua Senador Alencar Guimarães, e ainda na Praça Rui Barbosa.

Mais acidentes

Levantamento feito pela Urbs mostra o crescimento do número de acidentes envolvendo ônibus do transporte coletivo e ciclistas. Em 1998 foram nove acidentes. Já em 2001 houve 28 acidentes, 211% mais do que há quatro anos. O número de feridos cresceu 383%. Seis pessoas se feriram nos nove acidentes que ocorreram em 98, enquanto no ano passado foram 29 feridos nos 28 acidentes.

Os dados do Siate (Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência) também revelam a violência no trânsito envolvendo os ciclistas de Curitiba. Das 120 vítimas fatais em acidentes envolvendo motos, automóveis, pedestres, bicicletas, ônibus e caminhões, atendidos pelo Siate no ano passado, 22 eram ciclistas, o equivalente a 18,3%. O levantamento mostra ainda que o total de vítimas de acidentes envolvendo bicicletas chegou a 1.510 em 2001. Desde total 92,25%, ou 1.393 pessoas, foram parar no hospital.