Passageiros de ônibus de Bocaiuva do Sul, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), podem ficar sem transporte hoje. Ontem, a principal via de acesso ao município foi ocupada durante todo o dia e três ônibus foram impedidos de fazer o trajeto por passageiros do ônibus metropolitano.

Eles protestavam contra a tarifa de R$ 2,70, praticada desde o mês passado. Das 350 linhas de ônibus da Rede Integrada de Transporte (RIT), a de Bocaiuva – que transporta 1,3 mil passageiros por dia – é a única que opera com tarifa diferenciada. Nas demais, a tarifa é de R$ 2,20.

“Fizemos um protesto pacífico. Se não tivermos respostas, hoje cedo não vai sair ônibus nenhum daqui”, ameaçou um dos passageiros, que não quis se identificar. O preço da tarifa interfere inclusive nos empregos em Curitiba, dizem os passageiros. “Tem gente que dá um endereço de Curitiba e paga R$ 0,50 do próprio bolso para não perder o emprego, porque tem empresa que não paga a diferença”, conta o mecânico industrial Abel Santos.

Segundo os passageiros, são dez ônibus que partem para Curitiba de manhã e apenas sete que voltam à tarde. “Os ônibus vêm completamente lotados. O preço é abusivo pelas condições que enfrentamos”, reclama o auxiliar técnico José Valentim.

Apesar da linha de Bocaiuva ter integração física com a RIT, a passagem nunca teve o mesmo preço, desde 1997, quando a prefeitura fez acordo com a Coordenação da RMC (Comec) para entrar no sistema. Desde o início, o acordo para a entrada do município na RIT era essa tarifa diferenciada, pois já era considerada uma linha cara.

Entre os órgãos responsáveis continua o jogo de empurra-empurra. A operação da linha é da Urbs, responsabilidade delegada pela Comec. Para a Urbs, pelo contrato de delegação do serviço feito com a Comec, é necessário que seja subsidiado um valor de R$ 215 mil ao ano, que não vai partir da própria Urbs. J

á a diretora-presidente da Comec, Letízia Fiala, rebateu dizendo que quem fixa a tarifa é a Urbs. “Se Bocaiuva não fizesse parte da RIT, o valor da tarifa seria quase o dobro”, afirma.