Com quase 16 meses de pandemia do coronavírus, plataformas oficiais com números fundamentais para a compreensão do cenário epidemiológico ainda exibem falhas. No Paraná, quem acompanha os boletins diários da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) sobre casos de pessoas infectadas pelo coronavírus já se acostumou com a parcela de “retroativos”. No boletim desta terça-feira (13 de julho), por exemplo, dos 3.048 novos casos de infecção, 2.253 são de fato casos detectados neste mês de julho. O restante dos casos (795), contudo, são de meses anteriores, mas que só entraram no sistema estadual neste dia 13 de julho.

O registro tardio é comum nos boletins da Sesa. Levantamento da Gazeta do Povo com base nos informes divulgados diariamente ao longo do mês passado mostra que, dos 190.759 novos casos de infectados em junho, 54.390 (ou 28,51%) se referem a meses anteriores. A maior parte dos retroativos – 46.293 – é do mês imediatamente anterior, maio. Outros 8.097 casos estão ligados a meses ainda anteriores, incluindo períodos do ano de 2020. Há boletins que chamam mais atenção. No informe de 22 de junho, por exemplo, dos 13.593 novos casos, 6.295 eram retroativos (especialmente de maio, com 5.980).

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Os números de casos de infectados servem, por exemplo, para cálculo da chamada taxa de reprodução (o Rt) do coronavírus, que é o número médio de indivíduos contaminados por cada infectado e se tornou um dos indicadores utilizados pelas administrações públicas no momento de justificar a adoção de medidas mais restritivas ou menos restritivas.

De acordo com a Sesa, os retroativos ocorrem porque há um atraso nos registros por parte dos municípios, que são os responsáveis por alimentar o sistema estadual. “A Sesa fortalece junto aos municípios a necessidade de alimentar os sistemas de informações em tempo oportuno para garantir um cenário epidemiológico real e transparente”, afirmou a pasta, em nota encaminhada à reportagem.

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“As notificações são realizadas exclusivamente pelos municípios. As Regionais de Saúde, assim como a Sesa no nível central, realizam monitoramentos constantes para cobrar dos municípios a notificação compulsória de casos e óbitos, além da finalização das notificações no sistema. Este trabalho tem sido realizado desde o início da pandemia, por isso, por diversas vezes, a Secretaria Estadual da Saúde informa casos e óbitos retroativos, que não haviam sido “finalizados” no sistema pelos municípios, e após insistência da Sesa, os municípios finalizam a notificação”, reforçou a pasta.

Desde o início da pandemia até agora, o Paraná soma mais de 1,3 milhão de infectados.