As mulheres vão entrar em um dos últimos redutos exclusivamente masculinos. O Corpo de Bombeiros (CB) do Paraná abriu 20 vagas e no próximo ano elas vão fazer parte da corporação. Segundo a professora de Psicologia do Trabalho da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Marilene Zazula Beatriz, não existe mais áreas onde só os homens atuam. Porém, em muitas delas a supremacia ainda é masculina.

No Corpo de Bombeiros as mulheres vão realizar o mesmo trabalho que os demais soldados. Entre as atividades estão salvamentos aquáticos e em altura e o combate a incêndios. As provas físicas do concurso são parecidas com as dos homens, com pequenas adaptações em virtude das diferenças físicas. No mergulho a quatro metros de profundidade, por exemplo, ao invés de três objetos, elas precisam pegar dois. Na subida de corda, podem usar as mãos e os pés. “A corporação tem grande expectativa. Acredito que elas vão fazer um bom trabalho. Já mostraram a sua capacidade trabalhando como salva-vidas voluntárias durante a temporada de praia”, destaca o tenente Eduardo Gomes Pinheiro, chefe do setor de relações públicas do CB. No entanto, o número de vagas oferecidas para as mulheres ainda é pequeno. Para os homens são 273 vagas.

Guerra dos sexos

Segundo Marilene, as engenharias elétrica e a mecânica também são dominadas pelos homens, e até mesmo dentro de alguns ramos da medicina existe esse desequilíbrio. A maioria dos cardiologistas, por exemplo, é do sexo masculino. Ela explica que isso acontece porque a sociedade ainda define papéis exclusivos para cada sexo. Até mesmo na hora de encaminhar alunos para estágio, empresas revelam preferencia por rapazes ou moças de acordo com a função. “Mas o estágio é apenas um aprendizado”, considera.

A psicóloga comenta ainda que é comum ouvir as pessoas dizerem que os homens são ousados, possuem auto-confiança e têm capacidade para tomar decisões. Já as mulheres são mais apáticas, buscam apoio e preferem trabalhar em grupo a competir. “As características são comuns em ambos os sexos, variando de pessoa para pessoa”, corrige.

O mundo dos negócios mostra claramente a dificuldade que o sexo feminino tem para alcançar os cargos mais altos. Marilene remete a pesquisas que mostram que apenas 7% delas são presidentes de grandes empresas, e ganham até 16% menos que os homens.

Uma das justificativas masculinas é que as mulheres se preparam menos para o mercado. Mas os números atuais mostram que isso não é verdade. Nas universidades, quando não são a maioria, elas são a metade. Sem contar nas especializações e no estudo de línguas estrangeiras. “O problema é que na hora de escolher entre um homem e uma mulher com a mesma qualificação, geralmente ganha o homem”, afirma Marilene. A psicóloga reconhece também que parte da culpa é das próprias mulheres, afinal elas têm papel decisivo na formação do pensamento dos filhos.

Mas ela reconhece que as coisas estão mudando, e o processo é complicado para ambos os sexos. Para mostrar que são competentes elas vão ter que gastar o dobro da energia, enquanto os homens estão perdendo espaço.