Lucimar do Carmo / GPP

Monalisa Stefani: grande divulgação
e ampliação da renda.

Bonecas de pano feitas por mães adolescentes, bolsas confeccionadas por crianças com deficiência mental e objetos de decoração fabricados por presos. Esses e outros objetos estarão sendo comercializados em Curitiba dentro do projeto Boutique Solidária. A iniciativa pretende dar visibilidade para cooperativas e instituições sociais brasileiras, criando oportunidades para a venda e captação de recursos.

O projeto é gerenciado pela organização não governamental (ONG) Instituto Parceiros da Vida, que foi criada há cinco anos em São Paulo – e dois anos em Curitiba – com a proposta de trabalhar comunicação e marketing com outras ONGs. Ele é financiado pela fundação americana Artemisia, que trabalha com projetos de empreendedorismo juvenil com impacto social e econômico, e tem o apoio do Shopping Estação.

A coordenadora da Boutique Solidária, Monalisa Stefani, conta que inicialmente a loja irá comercializar trabalhos feitos por 27 instituições de cinco estados – de Curitiba e Região Metropolitana participam 12 instituições. No primeiro ano de funcionamento, a boutique tem como meta beneficiar diretamente 35 entidades sociais e mais de 5,5 mil pessoas. Ela destaca que a loja não terá fins lucrativos e toda a renda será repassada quase que integralmente para as instituições. ?O nosso objetivo é contribuir para que as instituições consigam expor seus produtos, divulguem os trabalhos e consigam ampliar a renda?, comentou.

Comércio justo

A proposta da Boutique Solidária está baseada no comércio justo e economia solidária, movimentos difundidos na Europa e Estados Unidos. Monalisa Stefani explica que essas práticas consistem em comercializar produtos cuja formação de preços é satisfatória e sem exploração para quem produz e compra. ?Já a economia solidária prevê que todos os produtos partem de um processo coletivo, que envolve a aprendizagem, desenvolvimento e geração de renda?, explica.

Na década de 90, várias ONGs e instituições internacionais se reuniram para criar associações de comércio justo e alternativo, e atualmente já existe uma certificadora desses produtos – Fair Trade Labelling Organizations (FLO). Uma pesquisa feita por essa organização constatou que o comércio justo vem crescendo uma média de 20% em todo o mundo. Já o relatório da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento, realizado em São Paulo no ano passado, apontou que o mercado de comércio ético e solidário movimenta US$ 700 milhões por ano em todo o mundo, beneficiando mais de quatro milhões de pessoas.

Inauguração

A Boutique Solidária será inaugurada no sábado, às 19h, na sala 2006, no segundo piso do Shopping Estação. O projeto arquitetônico da loja foi desenvolvido com o uso de produtos ecologicamente corretos, com móveis e objetos feitos de embalagens recicláveis. Todas as peças vendidas sairão da loja com uma etiqueta feita de papel reciclado que explica sobre a proposta da boutique e o contato com o produtor.